Brasil tem cidade habitada por anões e fica no Nordeste

Elias Lacerda7 de julho de 2025
Brasil tem cidade habitada por anões e fica no Nordeste

Com uma concentração singular de pessoas com nanismo, Itabaianinha, no interior de Sergipe, se tornou um símbolo de resiliência, identidade e superação. Conhecida mundialmente como a “Cidade dos Anões”, a cidade carrega uma história moldada por fatores genéticos, isolamento geográfico e força comunitária.

Uma origem genética rara

O ponto de partida dessa história está no povoado de Carretéis, zona rural de Itabaianinha. Ali, o isolamento e a prática de casamentos consanguíneos contribuíram para a disseminação da Deficiência Isolada do Hormônio do Crescimento (DIGH), uma condição hereditária rara causada por uma mutação que impede a produção do hormônio do crescimento.

Ao contrário de outros tipos de nanismo, a DIGH resulta em estatura baixa com proporções corporais normais, geralmente entre 105 e 135 cm de altura.

Estudos apontam que a incidência da condição em Carretéis chegou a 1 em cada 32 habitantes, um número muito acima da média mundial.

Ao longo de oito gerações, estima-se que mais de 130 pessoas tenham sido afetadas, tornando Itabaianinha um caso único na medicina e na demografia.

Reconhecimento nacional e internacional

A singularidade genética e o modo de vida da população com nanismo chamaram atenção da mídia nas décadas de 1980 e 1990. Reportagens e documentários nacionais e internacionais, como o da CNN em 1993, contribuíram para projetar a cidade no mapa mundial.

O italiano Marco Sanvoisin, que visitou Itabaianinha, descreveu seus habitantes como “criaturas doces e diferentes, que parecem ter saído de um livro de fadas”. A fama também se refletiu na cultura popular, como na música “Sou de Itabaianinha”, da banda sergipana Siri Mania, que homenageia com orgulho os moradores da cidade.

Trabalho, visibilidade e superação

Apesar dos desafios, os moradores com nanismo sempre buscaram uma vida ativa e independente. Muitos atuam como professores, artesãos, feirantes e até competiram em eventos esportivos internacionais.

Um dos símbolos dessa superação é Dona Pureza, a primeira mulher com nanismo da cidade a se casar com um homem de estatura média. “Eu queria ter uma família, e graças a Deus consegui”, contou, em depoimento emocionado.

Mudanças demográficas e novos caminhos

Nos últimos anos, porém, a “Cidade dos Anões” tem passado por transformações. O avanço de tratamentos com hormônio do crescimento, aliado a políticas de saúde, migração e mudanças culturais, reduziu significativamente o número de novos casos de nanismo.

Crianças que antes herdariam a condição agora crescem com estatura dentro da média, graças ao diagnóstico precoce e ao acesso a terapias. A identidade visual da cidade muda, mas seu legado permanece.

Preservar a memória, contar a história

Para evitar que a história dos “pequenos grandes cidadãos” de Itabaianinha se perca com o tempo, iniciativas têm surgido para preservar essa herança. Entre elas, o projeto de lei nº 02/2020, de autoria da vereadora Lêda Maria Dantas, busca reconhecer oficialmente a importância cultural e histórica da comunidade com nanismo. A monografia do pesquisador Cleiton dos Santos também contribui com uma análise profunda do tema.

“O passado precisa ser salvo para servir ao presente e ao futuro”, ressalta o estudo, citando o historiador Jacques Le Goff.

Desafios ainda persistem

Mesmo com o reconhecimento, moradores com nanismo ainda enfrentam barreiras. A falta de inclusão no mercado de trabalho, a acessibilidade precária em espaços públicos e a falta de políticas específicas seguem como entraves para uma vida plena.

“Nós deveríamos ser mais lembrados pelas autoridades, principalmente quando se trata de emprego”, afirma Clécio, morador da cidade.

Um legado que continua inspirando

A trajetória de Itabaianinha é inseparável da história de seus moradores com nanismo, que levaram o nome da cidade para o mundo, desafiando estigmas com coragem e dignidade. Mesmo com as transformações demográficas, o legado permanece, com um testemunho vivo de que grandeza não se mede em centímetros, mas em histórias de superação.

Com uma concentração singular de pessoas com nanismo, Itabaianinha, no interior de Sergipe, se tornou um símbolo de resiliência, identidade e superação. Conhecida mundialmente como a “Cidade dos Anões”, a cidade carrega uma história moldada por fatores genéticos, isolamento geográfico e força comunitária.

 

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