E agora, Brandão? O Maranhão está de olho no governador

Passadas as eleições do último domingo, 4 de outubro, os olhares da política maranhense se voltam para o governador Carlos Brandão. Ainda considerado uma importante liderança política do estado, ele chega à reta final do mandato diante de uma decisão que pode repercutir no segundo turno presidencial: como se posicionará na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro?
O resultado das urnas trouxe derrotas importantes para o governador. Seu sobrinho, Orleans Brandão, perdeu a disputa pelo governo, vencida por Eduardo Braide, e os candidatos ao Senado apoiados pelo grupo também não conquistaram as vagas.
Entretanto, Brandão preservou uma base expressiva ao eleger a maioria dos deputados federais e estaduais ligados ao seu campo político. Esse resultado mantém o governador com força para participar das decisões que envolvem o Maranhão, mesmo depois dos reveses nas disputas majoritárias.
À frente do Executivo estadual até o encerramento do mandato, Brandão continua exercendo influência política e administrativa. Por isso, seu posicionamento passou a ser uma das principais expectativas para a etapa final da eleição presidencial, marcada para 25 de outubro.
Para Lula, ampliar a vantagem no Nordeste pode ser decisivo na tentativa de superar Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, uma eventual visita ao Maranhão colocaria a relação com Brandão no centro das articulações.
Mas essa aproximação pode exigir mais do que um pedido de apoio.
Nos bastidores, há quem avalie que o governador não recebeu de Lula a atenção política que esperava durante a campanha estadual. A leitura é de que esse distanciamento teria provocado fissuras na relação com o governo federal, justamente quando o grupo de Brandão enfrentava uma eleição decisiva.
Somam-se a esse ambiente as queixas de aliados sobre medidas judiciais e policiais durante o período eleitoral, situação que foi vista como ações políticas com vistas a prejudicar o governador e seus aliados, sem que tivesse qualquer solidariedade do governo federal. No entorno do governador, episódios envolvendo integrantes do grupo e desdobramentos do caso conhecido como Tech Office são apontados como fatores de desgaste para o governo e para a candidatura de Orleans. A interpretação de perseguição é uma alegação política desse campo.
Agora, a questão é saber quanto esse conjunto de insatisfações pesará na decisão do governador.
Com origem familiar ligada ao agronegócio e uma ampla rede de aliados, Brandão tem interlocução com setores que também estarão envolvidos na disputa presidencial apoiando Flávio Bolsonaro. Seu apoio a qualquer das candidaturas neste segundo turno pode representar capacidade de mobilização, articulação com prefeitos e influência sobre lideranças espalhadas pelo Maranhão.
A derrota de Orleans encerrou um projeto de sucessão, mas não eliminou o peso político de Carlos Brandão. O governador permanece como uma peça importante no tabuleiro maranhense, especialmente neste segundo turno, e seus próximos movimentos serão acompanhados de perto.
E agora, governador Brandão ?
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