Fatores que impediram a eleição de Dra. Gisele e Socorro Waquim em 4 de outubro

As eleições terminaram, mas as avaliações sobre o pleito de 4 de outubro continuam movimentando os bastidores políticos de Timon e as conversas da população nos mais diferentes pontos da cidade. Entre os assuntos que ainda rendem discussão estão as derrotas de Dra. Gisele, candidata a deputada federal, e da vice-prefeita Socorro Waquim, que disputou uma vaga na Assembleia Legislativa.
Uma avaliação é comum entre os observadores próximos das duas candidaturas: ambas teriam sido enganadas por expectativas de votação alimentadas por suas articulações políticas. Para Socorro, a frustração ocorreu principalmente dentro de Timon. Para Gisele, o resultado que ficou abaixo do esperado veio de fora.
Na semana da eleição, o cenário apresentado à candidatura de Socorro era de total otimismo. Conforme os relatos que embasam esta análise, levantamentos internos apontavam intenções de voto próximas ou superiores a 40%, sustentando a expectativa de que a professora ultrapassasse os 30 mil votos no município e saísse de sua principal base em condições favoráveis ou até mesmo já eleita.
Essa possibilidade chegou a ser abordada pelo jornalista Elias Lacerda em publicações na semana anterior ao pleito (reveja clicando aqui). A apuração, entretanto, mostrou uma realidade diferente.
Socorro recebeu 23.565 votos em Timon, correspondentes a aproximadamente 24,47% dos votos válidos para deputado estadual. No Maranhão, somou 32.155 votos. Portanto, outros municípios contribuíram com 8.590 votos para sua candidatura.
A votação de fora complementou seu desempenho, mas não compensou a distância entre a expectativa criada em Timon e o resultado efetivamente registrado nas urnas. O município do qual se esperava a sustentação decisiva de sua eleição entregou milhares de votos a menos do que se projetava politicamente.
Com Dra. Gisele, a situação foi diferente. Sua candidatura demonstrou força em Timon, onde conquistou 44.760 votos e aproximadamente 45,52% dos votos válidos para deputada federal. Foi a candidata mais votada para o cargo na história da cidade.
Embora os relatos sobre levantamentos internos na reta final mencionassem até 54% das intenções de voto, o resultado local confirmou uma base expressiva e a principal frustração da campanha esteve na votação obtida nos demais municípios.
Dos 85.515 votos conquistados por Gisele no Maranhão, 40.755 vieram de fora de Timon. O número ficou distante da expectativa de 80 mil a 100 mil votos externos relatada nos bastidores da candidatura. Timon, sozinho, respondeu por mais da metade de toda a sua votação no estado.
Um dos exemplos mais marcantes dessa diferença envolve Maedja Campos, candidata a deputada estadual com base em Paço do Lumiar. Segundo o relato apresentado ao blog, havia uma articulação de apoio recíproco entre as candidaturas.
Em Timon, Maedja conquistou 2.208 votos. Já em Paço do Lumiar, Gisele recebeu apenas 347. A diferença foi de 1.861 votos: a votação de Maedja em Timon superou em mais de seis vezes a de Gisele no município que concentra a principal base eleitoral da candidata estadual.
Os números não permitem atribuir individualmente cada voto a uma liderança, mas expõem o desequilíbrio no resultado da articulação descrita. Para quem esperava reciprocidade política, a comparação ajuda a explicar a decepção com a votação externa de Dra. Gisele.
É nesse contraste entre expectativas e urnas que se sustenta a avaliação de que as duas candidatas foram enganadas. A expressão traduz uma leitura política dos resultados, e não uma comprovação de que houve intenção deliberada de ludibriá-las.
Socorro precisava de uma mobilização maior dentro de Timon. Gisele dependia de uma resposta mais forte das alianças construídas fora da cidade. As duas terminaram a disputa sem mandato e com motivos para rever o peso real dos apoios que receberam.
As urnas se fecharam com Socorro Waquim precisando de apenas mais 183 votos para ser eleita e Dra Gisele menos de 4 mil e 700 votos, que alcançados por ela própria ou por todos os candidatos do MDB, garantia conquista para a Câmara Federal.
Foi isso...
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