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Filme sobre a Lava Jato: o que Alberto Youssef estava fazendo no hotel de luxo em São Luis quando foi preso

Das investigações e delações premiadas para o cinema: a Operação Lava Jato chegou às telas no dia 7 de setembro com Polícia Federal – A Lei é Para Todos. Até o último fim de semana, o filme já havia sido visto por 840 mil espectadores.

Logo no começo do filme, é mostrada uma sequência eletrizante que antecede a prisão do doleiro Alberto Yousseff, no Maranhão. Na telona, delegados federais em Curitiba e em São Luís se organizam para apanhar Yousseff antes dele fugir de um hotel de luxo na cidade. A cena mostra, inclusive, que o juiz Sergio Moro teria recebido uma mensagem de texto no celular para autorizar a ação contra o doleiro, no sistema interno da Justiça Federal. O que o filme não mostra é o que Yousseff estava fazendo lá: pagando propinas a servidores do governo Roseana Sarney, como informou uma reportagem de agosto de 2014 do jornal O Estado de S. Paulo.

O relatório da PF indica que o governo do Maranhão recebeu R$ 6 milhões para burlar a fila de pagamento de precatórios e antecipar um pagamento de R$ 113 milhões para a empreiteira UTC/Constran. O caso abriu uma investigação por lavagem de dinheiro e associação criminosa contra Roseana, que terminou absolvida em julho deste ano.

Orçada em cerca de R$ 16 milhões e baseada em fatos reais, a obra adicionou uma “camada de roteiro à realidade”, como afirmou o diretor do filme, Marcelo Antunez. O filme apresenta, por exemplo, os delegados da Polícia Federal com nomes fictícios. O mesmo não ocorre, porém, com os investigados e políticos mencionados. Vale destacar, ainda, que são mostrados os episódios que vão da primeira fase da Lava Jato, em março de 2014, até a 24ª fase, em março de 2016, quando o ex-presidente Lula foi alvo de condução coercitiva.

Em São Luís, Alberto Youssef foi apanhado por acaso. Os agentes da Lava Jato acreditavam que ele estava na capital maranhense para entregar dinheiro desviado da Petrobras (R$ 1,4 milhão) para financiar a campanha eleitoral do grupo liderado pela então governadora Roseana Sarney (PMDB). No seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, o doleiro contou que o dinheiro era propina mesmo, mas com outra origem e outro destino, garantindo que a mala de dinheiro que, segundo a PF, conseguiu entregar a Marco Ziegert, suposto emissário do então chefe da Casa Civil, João Abreu, provavelmente o mais influente assessor direto da governadora Roseana Sarney e que dava expediente no Palácio dos Leões.

Ocorrido em 17 de março de 2014, nas dependências do Hotel Luzeiros, em São Luís, o episódio marcou o inicio da mais longa operação de combate à corrupção no país, com a prisão de Alberto Youssef, vivido no filme pelo ator Roberto Birindelli, informa o blog Marrapá.

O doleiro estava na capital para despachar R$ 1,4 milhão em propina paga pela UTC, como parte de um acordo de R$ 12 milhões com o governo de Roseana, relacionado ao pagamento fraudulento de R$ 113 milhões em precatórios à construtora investigada na Lava Jato.

Segundo a delação de Youssef à época, a herdeira do oligarca José Sarney teria conhecimento toda negociata, que também levou a prisão do empresário João Abreu.

A PRISÃO DE ALBERTO YOUSSEF EM SÃO LUÍS

Era segunda-feira (17 de março de 2014) e o relógio da recepção do Hotel Luzeiros, em São Luis, capital do Maranhão, marcava 6h, quando uma equipe de federais subiu ao sétimo andar para prender o hóspede do quarto 704.

Velho conhecido das autoridades de outras prisões, o doleiro chegara acompanhado de um amigo na noite de domingo carregando duas malas e um caixa de vinhos embaixo do braço. Uma delas, guardava R$ 1,4 milhão em dinheiro vivo. Era propina da empreiteira UTC a ser entregue na tarde seguinte a um secretário do governo Roseana Sarney (PMDB), em contrapartida a liberação “adiantada” de dinheiro de dívida de mais de R$ 100 milhões que o grupo tinha a receber do Estado.

Três horas antes dos policiais baterem à porta do quarto 704, com vista para o mar, Youssef desconfiou do risco de ser preso e levou a mala milionária até o quarto do comparsa. Assim, mesmo preso, conseguiu efetivar o pagamento da propina, como revelaram à PF, posteriormente, as imagens das câmeras de segurança do hotel.

(Do blog do John Cutrim)

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