Lei de Abuso de Autoridade entra em vigor e proíbe mostrar fotos de bandidos presos; Imprensa, polícia e sociedade são prejudicados

A Lei de Abuso de Autoridade pode interferir na cobertura policial feita pela imprensa, avaliam especialistas. No texto aprovado em agosto do ano passado e que entrou em vigor no último dia 4 , no artigo 14 diz que configura como crime “fotografar ou filmar, permitir que fotografem ou filmem, divulgar ou publicar fotografia ou filmagem de preso, internado, investigado, indiciado ou vítima, sem seu consentimento ou com autorização obtida mediante constrangimento ilegal, com o intuito de expor a pessoa a vexame ou execração pública”. Com isso, advogados e integrantes da Polícia Civil afirmam que coberturas de crimes terão de ser readaptadas.

O delegado Rafael Sampaio, presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Judiciária (ADPJ), que representa mais de oito mil delegados no país, atribui ao projeto aprovado “muita subjetividade” e alega que a lei vai aumentar a insegurança jurídica dos policiais civis, além de prejudicar o trabalho da imprensa. “O texto traz elementos altamente subjetivos e incertos. Vai gerar um prejuízo imenso também à imprensa e à sociedade, que vai deixar de reconhecer um criminoso”, explica Sampaio.

Para o policial, a divulgação de imagens e a cobertura da imprensa em casos polêmicos, que são de interesse público, podem perder detalhes. Sampaio explica, como exemplo, casos de estupro, em que, por “estratégia e necessidade da polícia”, divulgam a foto do suspeito para que outras vítimas possam reconhecê-lo ou que a sociedade ajude a denunciá-lo, quando estiver foragido. A pena para o agente que cometer a prática é de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa.

“Muitas vezes, quando há a denúncia, mas não tem material biológico, divulgamos a foto do suspeito para ajudar no reconhecimento dele. Vai tirar nosso ímpeto em tentar solucionar alguns casos”, justifica. Apesar de criticar pontos da lei, Sampaio reconhece a necessidade de aprimorá-la. Mas, chama atenção para a necessidade de se implementar novos mecanismos de atuação por parte do treinamento policial. “Tem que haver, então, um novo protocolo a ser seguido pelos policiais. Porque o projeto gera, naturalmente, uma omissão defensiva”, destaca.

Acima o delegado regional de Timon, Humaitan Oliveira

No Maranhão a Secretaria de Segurança já orientou as polícias civil e militar sobre as novas regras e as informações que são repassadas a imprensa não trazem mais fotos dos presos nas operações e em muitos casos, sequer os nomes dos envolvidos, mesmo quando se tratam de indivíduos de alta periculosidade. O comandante a PM em Timon, coronel Ribeiro, assim como o delegado regional Humaitan Oliveira, já orientaram seus policiais sobre a nova Lei.

 

2 cometários

Malicuia
Comentou em 11/01/20

Isso sim é bandidagem.

carlos albukerke
Comentou em 12/01/20

Eu acho que os aprovadores dessa lei, estão é com medo de mostrar a cara quando forem preso. Pois esta ação esta beneficiando os bandidos, pois com essa proibição ninguém fica conhecendo os bandidos, que as vezes estão morando ao lado de sua casa.

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