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Metade do lucro dos traficantes da Rocinha não vem da venda de drogas

Parte da comunidade da Zona Sul carioca: moradores desesperados
Parte da comunidade da Zona Sul carioca: moradores desesperados Foto: Brenno Carvalho

RIO — Dados de uma investigação da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) revelam as origens do faturamento e a diversificação de negócios ilícitos explorados pela quadrilha que atua na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Na comunidade, onde, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vivem pelo menos 70 mil pessoas, o bando tem uma arrecadação semanal estimada pela Polícia Civil em aproximadamente R$ 2,5 milhões. Metade dessa renda é fruto de taxas impostas pelo tráfico, que passou a adotar o mesmo “modus operandi” de milícias.

A outra metade do dinheiro obtido pelos bandidos ainda é proveniente do comércio de drogas. Mas, do comércio de cigarros contrabandeados, passando por cobranças junto a mototaxistas, motoristas do transporte alternativo e comerciantes, até a venda de carvão, tudo é controlado ou sobretaxado pelo tráfico da Rocinha.

Apesar de moradores não serem obrigados a pagar taxas de segurança, quem vive na comunidade já sente no bolso o peso dos novos filões explorados pelos criminosos. Dois exemplos disso são os valores estipulados para o gás de cozinha e as corridas de mototáxi.

Os moradores são proibidos de comprar botijões de gás de depósitos localizados fora da favela. No final de 2020, viam-se obrigados a pagar R$ 95. Em fevereiro deste ano, o preço subiu para R$ 105. Agora, o produto custa R$ 120.

Já o menor valor cobrado por mototaxistas — R$ 3,50 — passou para R$ 4. Em 2015, de acordo com um inquérito da 11ªDP (Rocinha), eles tinham que destinar R$30 por semana ao tráfico, para poderem trabalhar. Em fevereiro de 2021, a taxa foi a R$ 60. Hoje, segundo a polícia, é de R$ 105.

Os pagamentos deve ser feitos impreterivelmente às sextas-feiras. A saída dos mototaxistas foi repassar o custo extra para os passageiros.

— Estão aumentando muitas coisas. Se o passageiro de mototáxi vai subir ou descer o morro não importa. Mesmo se for andar só meio metro, tem de pagar pelo menos R$ 4 — lamentou uma moradora, que pediu anonimato.

Um outro morador, que também pediu para não ser identificado, comentou a alta de preços causada pelas extorsões. Segundo ele, o galão de 20 litros de água mineral chega a ser vendido por R$ 15.

— Está difícil viver na favela. Os preços ficaram muito salgados. A água mineral e o gás subiram bastante. Estão cobrando taxas em cima de tudo — reclamou o morador.

Do jornal Extra

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