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Belém do Pará : Advogada é presa acusada de matar a própria mãe

Acima a advogada e a mãe

Imagens mostram advogada acusada de matar a mãe saindo do apartamento com uma faca na mão

Imagens de circuito interno mostram a advogada Juliana Giugni Cavalcante Soriano de Mello saindo do apartamento com uma faca na mão e com manchas de sangue no dia 18 de janeiro de 2022. Juliana Mello é acusada de matar a própria mãe dentro do apartamento da família, no bairro Batista Campos, em Belém.

Nas imagens é possível ver que no dia 18 de janeiro, às 5h e 4 minutos, a advogada sai apressada do seu apartamento com uma faca na mão .

Na sequência, em outro vídeo, Juliana Mello aparece chegando na portaria com a faca. Imagens de dentro da portaria mostram ela entrando no local e um funcionário pegando a faca da mão da acusada.

Segundo Franklin Lobato Prado, promotor do Ministério Público do Pará, os vídeos do circuito interno de TV comprovam que Juliana Mello foi quem saiu do seu apartamento com a arma do crime.

“Vale ressaltar, que não só são os vídeos que comprovam que a acusada praticou o fato. A perícia, as várias perícias que foram solicitadas pelo Ministério Público, comprovam que o padrão genético que foi encontrado na arma do crime é da acusada”, afirma o promotor.

Franklin Lobato Prado disse que o Ministério Público está esperando um ofício da reprodução simulada para que possa verificar a culpabilidade, a autoria e a materialidade do crime.

Em nota à imprensa, a defesa da acusada disse que a faca e as manchas de sangue se justificam com base na perícia técnica, nos depoimentos dos bombeiros e policiais militares que estiveram no local. Segundo a defesa, o sangue que aparece em Juliana é o seu e ocorreu por conta de perfurações feitas pelo seu irmão.

De acordo com o advogado, foi o irmão que entregou a faca para ela e, ao pegar o utensílio, ela foge do apartamento.

Prisão

A Polícia Civil confirmou neste sábado (15) que a advogada Juliana Giugni Cavalcante Soriano de Mello foi presa na noite de sexta-feira (14). Ela é suspeita de matar a própria mãe.

Segundo a Polícia, a suspeita prestou depoimento na Divisão de Homicídios, em Belém, e em seguida foi encaminhada ao sistema penitenciário, onde deve permanecer à disposição da Justiça.

Advogada é presa acusada de matar a própria mãe em Belém. — Foto: Reprodução / Redes sociais

Em nota, a PC informou ainda que o inquérito que investiga o caso segue sob sigilo. A defesa de Juliana Giugni afirma que vai provar na Justiça que ela não é autora do crime.

Na última quinta-feira (13), a Justiça do Pará decretou a prisão preventiva de Juliana Giugni, acusada do homicídio triplamente qualificado pelo assassinato da própria mãe.

O crime ocorreu em janeiro deste ano no bairro da Batista Campos, bairro nobre de Belém.

A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público do Pará (MPPA) e aceita pelo juiz da 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, João Augusto de Oliveira Júnior. O magistrado também determinou a instauração de incidente de insanidade mental para a ré.

Inicialmente, o filho da vítima, Leonardo Felipe Giugni Bahia (na foto logo acima), foi denunciado como autor do assassinato e por tentativa de assassinato da irmã. Porém, após novas perícias, o promotor Franklin Lobato Prado concluiu que o feminicídio contra a mãe foi praticado por Juliana, sendo seu irmão o coautor.

As provas e testemunhos recolhidos pelo Ministério Público foram incluídos na denúncia por meio de aditamentos. Após os depoimentos apontarem que Juliana tentou alterar as provas processuais, intimidar as testemunhas e que poderia tentar fugir, o MPPA requereu a prisão preventiva.]

As testemunhas ouvidas relataram que a acusada retirou objetos do apartamento, alguns dias após o crime ter ocorrido. Uma funcionária do condomínio relatou que a ré solicitou a retirada do colchão onde a mãe foi assassinada, com o pretexto de que os vizinhos estariam reclamando do cheiro de sangue, o que não foi confirmado pela funcionária.

No segundo depoimento, um morador relatou que encontrou a acusada na garagem do condomínio com cerca de três malas, algumas caixas e sacolas retiradas do apartamento.

Entre as solicitações do Ministério Público à Polícia Civil estão a oitiva de vizinhos e porteiros, exame de sanidade mental dos acusados e interceptação de comunicações telefônicas dos acusados.

Segundo Rodrigo Godinho, advogado da ré, a família não acredita que uliana Mello seja autora do crime, porque as provas técnicas mostram que Leonardo [o irmão] agiu do mesmo modus operandi com a Juliana, como agiu com a mãe.

Ainda, segundo o advogado, “os laudos periciais mostram material genético do Leonardo nas unhas da vítima, e o laudo de lesão corporal dele mostra a lesão de unha, porém essa prova técnica não fora levada em consideração”, afirma.

Rodrigo Godinho também apresentou um áudio, na qual Leonardo Bahia conversa com a então namorada no dia do crime. Neste áudio, Leonardo diz que no fundo sempre precisou de ajuda e que tinha surtado.

Relembre o caso

Em 18 de janeiro deste ano, o advogado Leonardo Felipe Giuni Bahia foi preso suspeito de matar a própria mãe a facadas dentro do apartamento da família, no bairro Batista Campos, em Belém.

Na época, a Polícia Civil falou em surto psicótico, já que o acusado disse não lembrar do que havia acontecido, apesar de ter confessado o crime.

“Na nossa experiência, os autores que passam por surto psicótico e cometem homicídio sempre têm esse lapso de memória. Ele não recorda, em momento algum, o que aconteceu”, disse o delegado na época.

Leonardo também foi acusado de ferir a irmã na mão e na perna. Ele mesmo chamou a Polícia e se entregou.

Em junho deste ano, a Promotoria de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do MPPA concluiu que ficou comprovado que o feminicídio contra a mãe foi praticado pela irmã do advogado, Juliana Giuni Cavalcante Soriano de Mello. Já o irmão foi apontado como co-autor.

 

Do G1

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Elias Lacerda

Elias Lacerda

Elias Lacerda
Jornalista apaixonado pela notícia e a verdade