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Raptada para ser morta, mulher foi salva por colocar a mão para fora do porta-malas de carro em Fortaleza

Na última terça-feira (5) uma jovem de 19 anos foi torturada, raptada e mantida refém. Ela seria levada até uma área isolada no campus do Pici e morta por um grupo criminoso. A motivação seria a vingança do bando contra o namorado da vítima, Rickson Emanuel de Melo Queiroz, 22, conhecido como ‘RK’, pela morte do adolescente.

Na noite do mesmo dia, Rickson foi preso sob suspeita de homicídio em um estabelecimento que a Polícia Militar do Ceará (PMCE) disse ser uma pousada, também no Centro de Fortaleza. Com ele foram encontradas uma arma de fogo e munições.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ele é suspeito da morte de Bruno Nascimento da Silva, de 16 anos, motivado pela disputa entre grupos criminosos que atuam na região A ficha criminal de Rickson mostrou que aquele não era o primeiro crime cometido por ele.

‘RK’ tem antecedentes criminais por homicídio qualificado e roubo. Há informações de testemunhas que o namorado da adolescente raptada é membro do Comando Vermelho (CV) e tem como uma das funções ser matador da organização criminosa.

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Legenda: Rickson Emanuel de Melo Queiroz, 22, conhecido como ‘RK’, é acusado de vários homicídios

A reportagem apurou que Rickson Emanuel é acusado por assassinar um motorista de táxi-amigo, em maio de 2020. A vítima identificada como Marcelo dos Santos Brito dirigia para ‘RK’ e estaria “sabendo demais” sobre as negociatas ilegais.

Investigação

De acordo com relatório policial, Marcelo era motorista de aplicativo, porém devido aos problemas com os documentos do carro, fazia corridas ‘por fora’ só para pessoas que conhecia e confiava. Foi quando ele estreitou sua relação com ‘RK’. Testemunhas próximas à vítima disseram à Polícia que semanas antes de Marcelo ser morto ele vinha fazendo corridas para garotas de programa de boates no centro de Fortaleza e fazia corridas para o traficante Rickson, responsável pelo abastecimento de drogas para as prostitutas.

De acordo com o inquérito policial, Marcelo e ‘RK’ trafegavam pela Capital buscando e entregando drogas e armas de fogo. No dia 2 de maio, a vítima levava Rickson e outras três pessoas no seu carro, um Fox, na cor branca. Foi quando ‘RK’ disparou contra Marcelo, assumiu o volante e empreendeu fuga. Não há informações sobre quem mais estava no veículo naquele dia.

“Nos foi repassado que RK é conhecido por tocar o terror nas boates do Centro, ameaçando e intimidando as pessoas para que ninguém diga nada contra ele para a Polícia”, conforme trecho do relatório da investigação sobre o homicídio do motorista. Um mês depois, o traficante foi denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) e a Justiça ordenou sua prisão preventiva.

Relacionamento

A mulher salva do sequestro negou ser namorada do traficante. No entanto, o coordenador das células de proteção comunitária da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF), Paulo Martins, disse que a jovem foi vista no dia 4 de janeiro deste ano pelo grupo que a raptou conversando com um homem, na Rua Padre Mororó, no Centro, um matador de pessoas.

No dia seguinte, a jovem foi vista pelo bando na Rua São Paulo, também no Centro, local que ela costumava ir. Por volta das 15h, o grupo chegou perto dela em um carro, conversou e pediu informações sobre o homem com quem ela conversava no dia anterior. Por ela não ter dito o que eles esperavam, foi raptada.

Ao longo do trajeto, a jovem percebeu que a trava do porta-malas estava com defeito, e colocou uma das mãos para fora, com o objetivo de chamar a atenção de quem passava, para salvá-la. Quando o carro passava com a vítima na Rua Pará, no bairro Panamericano, um casal notou a mão dela para fora do porta-malas e filmou o fato.

Mais à frente, o casal viu uma equipe da Guarda Municipal, que acompanhava funcionários da Prefeitura de Fortaleza que podavam árvores na região, e denunciou o ocorrido. Quatro quarteirões depois, a composição deu ordem de parada ao motorista, e a vítima saiu do porta-malas gritando aos agentes que o grupo iria matá-la.

A Polícia Civil investiga a possível relação entre vítimas e suspeitos.

 

Do Diário do Nordeste

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