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Quatro ‘herdeiras’ de Marielle são eleitas deputadas no Rio




Renata Souza, Dani Monteiro e Mônica Francisco vão para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e Talíria Petrone para a Câmara Federal
Da esquerda para a direita, Dani Monteiro, Talíria, Mônica e Renata Foto: Divulgação/Fael
Da esquerda para a direita, Dani Monteiro, Talíria, Mônica e Renata Foto: Divulgação/Fael

RIO – A execução de Marielle Franco marcou o fim de uma vida, mas o nascimento de várias sementes. Pouco mais de seis meses após o atentado, o Rio elegeu quatro deputadas ligadas diretamente a ex-vereadora: Renata Souza, Dani Monteiro e Mônica Francisco para a Alerj, e Talíria Petrone para a Câmara Federal, todas pelo PSOL . Houve, ainda, outras eleições simbólicas, como a de Áurea Carolina (PSOL ), que era amiga de Marielle, ao cargo de deputada federal de Minas; Olivia Santana (PCdoB) , primeira negra na Assembleia Legislativa da Bahia ; e Érica Malunguinho (PSOL), primeira transgênera na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A bancada feminina na Alerj passou de oito deputadas para 12. Já na Câmara Federal foram eleitas 50% de mulheres a mais que em 2014. De 77 para 103. O número de negras cresceu de 10 para 13, e o de negros de 93 para 113. Em 2016, Talíria foi eleita vereadora de Niterói, num movimento semelhante ao que levou Marielle à Câmara Municipal do Rio. No domingo, ela se tornou a nona deputada federal mais votada do Rio, com 107 mil votos.

Se por um lado a gente afirmava que não existe sucessora da Marielle, porque ela foi executada e mulher executada não é substituída, surgiu uma grande disposição de mulheres. É uma resposta à execução. Uma alegria muito grande, nesse tempo de retrocesso democrático, vermos três mulheres negras na Alerj e a minha votação expressiva na Câmara. Vamos levar adiante pautas firmes, de enfrentamento ao genocídio do povo negro, de gênero, e outra mais que a Marielle encampava — afirmou Talíria, que se tornou candidata a deputada após o atentado. — Depois do atentado houve uma discussão importante e decidimos que precisávamos de uma resposta política. A gente quer estar no Congresso. A campanha foi muito emocionante e potente. Existe uma indignação com a execução da Marielle.

Em Brasília, Talíria vai ter novamente a companhia de Carlos Jordy (PSL), representante do movimento bolsonarista, e que era também seu colega na Câmara de Niterói. A eleição de uma bancada numerosa do PSL, que representa um campo conservador e oposto ao PSOL, ao mesmo tempo da vitória das herdeiras de Marielle, explicita a polarização da política nacional e fluminense. Talíria, que já sofreu ameaças de morte durante seu mandato como vereadora, projeta uma oposição acirrada em diversos temas.

— O Jordy é um campo, que se elege pelo submundo de correntes de whatsapp e pela negação das pautas democráticas. Não me preocupo com ele especificamente, mas esse campo é perigoso. Eles, que se mobilizam pelo ódio e violência, saem vitoriosos dessa eleição. Se estamos falando de um ódio contra diversidade, estamos também falando de um projeto econômico. O jovem que vai ficar fora da escola por causa da PEC 95 é vítima também do discurso de ‘bandido bom é bandido morto’. A crise econômica e o discurso de ódio no país não estão separados. Por outro lado, nosso campo progressista foi fortalecido, e vamos fazer oposição.

A deputada estadual mais votada pelo PSOL foi Renata Souza, com 63.937 votos. Ex-chefe de gabinete de Marielle, ela também foi criada na Maré e ambas se conheceram no curso pré-vestibular da comunidade.

Quatro ‘herdeiras’ de Marielle são eleitas deputadas no Rio

Renata Souza, Dani Monteiro e Mônica Francisco vão para a Alerj, e Talíria Petrone para a Câmara Federal
Da esquerda para a direita, Dani Monteiro, Talíria, Mônica e Renata Foto: Divulgação/Fael
Da esquerda para a direita, Dani Monteiro, Talíria, Mônica e Renata Foto: Divulgação/Fael

RIO – A execução de Marielle Franco marcou o fim de uma vida, mas o nascimento de várias sementes. Pouco mais de seis meses após o atentado, o Rio elegeu quatro deputadas ligadas diretamente a ex-vereadora: Renata Souza, Dani Monteiro e Mônica Francisco para a Alerj, e Talíria Petrone para a Câmara Federal, todas pelo PSOL . Houve, ainda, outras eleições simbólicas, como a de Áurea Carolina (PSOL ), que era amiga de Marielle, ao cargo de deputada federal de Minas; Olivia Santana (PCdoB) , primeira negra na Assembleia Legislativa da Bahia ; e Érica Malunguinho (PSOL), primeira transgênera na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A bancada feminina na Alerj passou de oito deputadas para 12. Já na Câmara Federal foram eleitas 50% de mulheres a mais que em 2014. De 77 para 103. O número de negras cresceu de 10 para 13, e o de negros de 93 para 113. Em 2016, Talíria foi eleita vereadora de Niterói, num movimento semelhante ao que levou Marielle à Câmara Municipal do Rio. No domingo, ela se tornou a nona deputada federal mais votada do Rio, com 107 mil votos.

— Se por um lado a gente afirmava que não existe sucessora da Marielle, porque ela foi executada e mulher executada não é substituída, surgiu uma grande disposição de mulheres. É uma resposta à execução. Uma alegria muito grande, nesse tempo de retrocesso democrático, vermos três mulheres negras na Alerj e a minha votação expressiva na Câmara. Vamos levar adiante pautas firmes, de enfrentamento ao genocídio do povo negro, de gênero, e outra mais que a Marielle encampava — afirmou Talíria, que se tornou candidata a deputada após o atentado. — Depois do atentado houve uma discussão importante e decidimos que precisávamos de uma resposta política. A gente quer estar no Congresso. A campanha foi muito emocionante e potente. Existe uma indignação com a execução da Marielle.

Em Brasília, Talíria vai ter novamente a companhia de Carlos Jordy (PSL), representante do movimento bolsonarista, e que era também seu colega na Câmara de Niterói. A eleição de uma bancada numerosa do PSL, que representa um campo conservador e oposto ao PSOL, ao mesmo tempo da vitória das herdeiras de Marielle, explicita a polarização da política nacional e fluminense. Talíria, que já sofreu ameaças de morte durante seu mandato como vereadora, projeta uma oposição acirrada em diversos temas.

— O Jordy é um campo, que se elege pelo submundo de correntes de whatsapp e pela negação das pautas democráticas. Não me preocupo com ele especificamente, mas esse campo é perigoso. Eles, que se mobilizam pelo ódio e violência, saem vitoriosos dessa eleição. Se estamos falando de um ódio contra diversidade, estamos também falando de um projeto econômico. O jovem que vai ficar fora da escola por causa da PEC 95 é vítima também do discurso de ‘bandido bom é bandido morto’. A crise econômica e o discurso de ódio no país não estão separados. Por outro lado, nosso campo progressista foi fortalecido, e vamos fazer oposição.

A deputada estadual mais votada pelo PSOL foi Renata Souza, com 63.937 votos. Ex-chefe de gabinete de Marielle, ela também foi criada na Maré e ambas se conheceram no curso pré-vestibular da comunidade.

O Globo

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