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Túnel do Tempo:- O “Arraiá do João Joca” – Versão 2016. Povoado Bonitinho

festa junina

Por Gil Alves dos Santos
1 – QUINZE DE JULHO DE DOIS MIL E DEZESSEIS. SEXTA-FEIRA. DEZOITO HORAS.  Sem ter como me proteger da enorme poeira da estrada não muito bem pavimentada que passa aqui na GENESIOLÂNDIA, fato agravado pela falta de chuva na região, fomos nós – este escriba, a Angélica, o Miguelão e o Zezinho na direção do veículo  –  para o povoado BONITINHO, distante nove quilômetros, para participarmos do “ARRAIÁ DO JOÃO JOCA”   –  uma animada festa junina(não seria JULINHA OU JULIANA?) com a participação das escolas municipais, tanto do povoado quanto da Região:- Bonitinho, Tapera, Canoa, Alagadiço, Gameleira, além de outras. A maestrina e  regente dessa folia era a  animada professora ROSA MARIA TAVARES, coadjuvada pela secretária CILENE SOARES DA SILVA. A recepcionista do evento, e o fazia com competência e simpatia, era a professora  FRANCISCA SOARES, que de microfone em punho transmitia alegria e vibração aos presentes. A DONA ILNÁ, incomodada com o poeirão dos dançarinos,  a tudo assistia, também animada, do alto de seus OITENTA ANOS.

2 – O forró com as canções tipicamente  juninas que eu esperava ver  e ouvi-las, e aqui vai uma crítica construtiva, sobretudo na voz do Gonzagão, capazes ainda hoje de comover até as pedras esturricadas do Sertão, cederam lugar ao som digital dos “notebuques” com enormes paredes de som, comandadas de uma camionete estacionada ao lado da  arena dos folguedos, indicando que a modernidade, com Luan Santana e parceiros, não se restringe às cidades. Sanfona, zabumba e triângulo,  infelizmente, já são “coisas” do passado. Quem não gostaria de ouvir, por exemplo, a inesquecível toada-canção, NOITES BRASILEIRAS, da dupla famosa, Luiz Gonzaga e Zé Dantas, assim:- “Ai que saudades que eu tenho/Das noites de São João/Das notes tão brasileiras das fogueiras/Sob o luar do sertão/Meninos brincando de roda/Velhos soltando balões/Moços em volta da fogueira/Brincando com o coração/Eita, São João dos meus sonhos/Eita, saudoso sertão…ai…ai.”

3 – Mas a galera constituída de jovens, turbinada pelo som mecânico,  não demonstrava a menor preocupação em saber se o embalo era de Gonzaguinha, Gonzagão, Luan Santana ou Wesley Safadão. Por isso  a animação corria solta. E para alimentar o corpo, pois,  ninguém é de ferro, a mesa  estava farta, repleta de bons e gostosos acepipes:-  mucunzá muito gostoso, abóbora assada na fogueira – que ardia alí bem próxima,  macaxeira, paçoca, jerimum e, porque não, com tira-gosto de  uma boa rapadura, penso que da Região.

4 – Uma enorme faixa colorida  dizia que o evento/espaço tinha o título de “ARRAIÁ DO JOÃO JOCA-2016”, um ilustre cidadão de épocas passadas, de quem já falei aqui neste Túnel.  Tudo bem organizado e muita disciplina,  tem início o desfile dos blocos do animado folguedo.  Noivos e noivas para todos os gostos à frente seus respectivos treinadores.  Foi emocionante a exibição e o consequente desfile dos blocos do Veríssimo, do Bonitinho, da Tapera, Unidade Benedita Pereira de Sousa.  As crianças dessa Comunidade,  novamente e melhor ainda do que no ano passado,  deram  um show à parte, pela espontaneidade, forma de apresentação, harmonia, disciplina. Como no ano passado, observei que a pequena  KERLÂNIA,  repetindo a performance passada, agora com 8 anos de idade, não apenas dançava, mas flutuava, tal a sua leveza, como se um beija-flor, convencida de sua importância e bem desempenhar sua atuação no grupo. Ela, nada obstante a pouca idade, continua fantástica. Brilhante. No Rio  de Janeiro, com a maioridade, se bem treinada, ela ocuparia o posto de Porta Bandeira de uma escola de samba. Com certeza, com o brilho de uma Selminha Sorriso, uma Vilma Nascimento.

5 – Não me contive e puxei uma boa prosa com o seu professor e dirigente da Escola, José Maria. Não é fácil, com tanta deficiência, pobreza franciscana, ser mestre numa escola localizada no sertão desassistido deste nosso Timon. Só a abnegação justifica o peso de tamanha responsabilidade.  No final,  Zé Maria não se negou em pousar para uma foto, com máquina fotográfica de verdade,  clicada por este escrevinhador.  Renovei a minha emoção, pois, ao fundo da arena estava e continua o Grupo Escolar que frequentei lá pelos anos de 1950, como morador da Tapera, hoje bem merecedora do título que lhe dar  o nome.

6 – Do bloco “ARRASTA PÉ”, com um bom número de participantes, louve-se sua  excelente desenvoltura e performance, com destaque para o Grupo teatral que, num altar imaginário, com a obrigatória presença do Padre, celebrou o casamento de  uma noiva já “buchuda”  tendo o pai brabo com uma faca peixeira na cintura,  surdo aos pedidos de clemência do sacerdote, frente a frente com o noivo.

7 – Parabéns à Rosa Maria Tavares e todo o seu “staf” de excelentes professores, professoras, colaboradores e colaboradoras. Saibam que de minha curta passagem nos bancos da Escola dessa Comunidade  –  e se fosse um Grupo?  –   guardo boas e saudosas recordações, revividas na noite deste quinze de julho de 2016.  Não tínhamos, como hoje,  ônibus escolares. Carro? Só um ou outro puxado por “bois erados”,  claro que do fazendeiro da região, o que me faz lembrar a canção CARRO DE BOI,  de 1953, composição de Capiba (Lourenço da Fonseca), na voz de Linda Batista (Florinda de Oliveira), com os seguintes versos:-

“Cadê os carros de boi

“Dos meus tempos de criança?

“Cadê os cantos dolentes

“Dos carreiros de meu pai?

“Ora cantando

“Ora chorando

“Pelas estradas empoeiradas.”

7 – Ao ELIAS LACERDA, os sinceros agradecimentos. Gil Alves dos Santos ([email protected]), telefone 86-9(9972-0524), bacharel em Direito, bancário aposentado do Banco do Brasil,  é colaborador ocasional  do eliaslacerda.com

2 cometários

Betim
Comentou em 28/07/16

Valei-me Santo Antônio, São Pedro e São João, globalizaram o sertão. Demorou!

Natty Santos
Comentou em 28/07/16

O Sertão na era do “face” e do “ZapZap”.

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