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Crise no nordeste: óleo recolhido pode ser menos de 10% do que vazou

Desde o dia 30 de agosto, praias de todos os nove estados do Nordeste, ao longo de mais de 2.000 quilômetros, vêm sendo contaminadas por um vazamento de petróleo cru cuja origem ainda não foi identificada. Destinos turísticos, como a Praia de Carneiros , em Pernambuco, Jericoacoara, Ceará, e outras foram afetados. 

Há duas hipóteses conservadoras para explicar o que pode ter ocorrido em alto mar e causado o maior desastre ambiental em extensão do litoral brasileiro. É o que explicou Erik Cunha, da OceanPact, empresa brasileira de navegação especializada no gerenciamento e resposta a emergências em áreas costeiras e offshore.

Em uma delas, a menos catastrófica, o derramamento teria acontecido durante uma transferência clandestina de óleo entre dois navios. Nesse caso, a quantidade que vazou pode ser equivalente à que já foi identificada, ou muito mais do que chegou à costa — ainda não há como saber quanto aparecerá. Também não é possível saber, neste caso, quando o derramamento teria sido interrompido.

A outra possibilidade trabalha com a ideia de uma danificação no tanque de resíduo de um navio petroleiro. A capacidade de um tanque do tipo é de cerca de 3.000 toneladas de óleo. Em contato com a água, o material entra em um processo de emulsificação e aumenta o seu volume em até 4 a 5 vezes. Ou seja, pode chegar a 15.000 toneladas.

Com todos os esforços ao longo do litoral nordestino para a remoção das manchas de petróleo das praias, entre 300 a 400 toneladas foram coletadas. Contudo, há areia junto com o material — estima-se que a mistura seja 50% de cada substância, óleo e areia.

Portanto, ao considerar a hipótese de um vazamento de tanque de resíduos de um navio, a quantidade recolhida até o momento não chega a 10% do que pode ter sido derramado.

Há outras possibilidades sendo investigadas: lavagem de tanques; um problema de segurança que forçou o lançamento de carga ao mar para evitar um naufrágio; um defeito no separador de água e óleo que lançou a substância ao mar “sem querer”; ou naufrágio não reportado de navio clandestino.

Da Folha de São Paulo

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