Maranhão : Enfermeiro que soltou foguetes para comemorar morte de prefeito sai da cidade com medo de ser morto

Ovídeo que circula nas redes sociais causou bastante revolta e motivou posicionamentos do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MA) e da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem), que repudiaram a conduta do profissional de saúde e informaram que tomariam medidas para que atitudes como essa não se repitam mais em nosso estado.

Desculpas

Em contato com O Imparcial, o enfermeiro Higo Cunha, que trabalhava no hospital do município até meses atrás, relatou arrependimento pelo ato praticado e pediu desculpas aos parentes do prefeito, especialmente aos pais e ao irmão, conhecido como Tosa, e também à população da cidade. “Eu estava de cabeça quente”, justificou Higo, relacionando a atitude dele a problemas enfrentados com a gestão municipal.

Injustiçado

Higo Cunha relatou à reportagem que, por diversas vezes, utilizou o próprio veículo particular para transportar pacientes de Santa Quitéria para unidades de saúde de Chapadinha (MA) e de Parnaíba (PI), distantes de Santa Quitéria cerca de 100km e 140km, respetivamente.

O enfermeiro contou que buscou ressarcimento do poder público municipal por esses serviços, mas diz não ter recebido nem o reembolso dessas viagens com as quais afirma ter arcado, nem valores referentes a plantões do mês de fevereiro deste ano.

Higo protocolou pedidos de pagamento que, segundo o enfermeiro, não foram feitos pelo município
Sem receber os pagamentos, Higo diz ter ficado revoltado com a administração municipal e, para tentar juntar provas, chegou a ir até a casa de uma idosa que ele ajudou a socorrer, em uma dessas viagens feitas no próprio carro. Lá, Higo pediu que a idosa e o marido dela gravassem o testemunho que seria apresentado na tentativa de forçar o pagamento da dívida com o enfermeiro.

Assista ao vídeo acima- Higo Cunha grava testemunho de casal de moradores de Santa Quitéria para tentar receber os pagamentos devidos 

Ameaças: “queriam me matar com 3 tiros na cabeça”

Após a repercussão do vídeo, Higo contou que teve que sair do município, pois, segundo ele, sofreu ameaças de morte. “Meu tio me ligou na manhã do domingo e disse que queriam me matar com três tiros na cabeça. Imediatamente, deixei a cidade para preservar minha vida”, revelou.

O comandante da Polícia Militar no município, sargento Chagas, informou que não tem conhecimento de qualquer ameaça sofrida por Higo.

O enfermeiro assegurou que, tão logo consiga, irá registrar um boletim de ocorrência contra as intimidações, que ele não revelou de onde partiram. Higo Cunha afirmou que também vai ingressar com uma ação na Justiça contra o autor do vídeo que acabou viralizando em grupos de conversas nas redes sociais.

Cassação de registro profissional

Sobre a nota de repúdio divulgada pelo Coren-MA, Higo comenta: “Não cometi nenhuma negligência ou imperícia”, enfatizando que não vê possibilidade de haver punição com a cassação do registro profissional, pois ele não estava no exercício da profissão.

Acima na foto o prefeito de Santa Quitéria Alberto Rocha, que morreu do novo coronavírus.

 

Pistolagem

O medo de morrer relatado pelo enfermeiro Higo Cunha não é um exagero se for observada a fama, baseada em fatos policiais históricos, do município de Santa Quitéria, conhecido por casos de pistolagem. Alguns desses casos inclusive, tiveram destaque no parlamento estadual.

Em 2017, o então deputado estadual Max Barros usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão para denunciar tentativas de homicídio sofridas pelo ex-prefeito Manin, que teve a residência atingida por cinco disparos de arma de fogo, e por um advogado da região, que teve a casa e o carro atingidos por cerca de 10 tiros. “Ambos os crimes possuem características de encomenda com conotações políticas”, disse o parlamentar à època.

 

De O Imparcial

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