A partir da próxima segunda (3) uma nova gasolina será oferecida no Brasil

A partir da próxima segunda-feira, dia 3 de agosto, a nova gasolina, com octanagem RON 93, passa a ser vendida no Brasil e deverá seguir novas especificações definidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O novo padrão de qualidade deverá aproximar a gasolina brasileira daquela que abastece os veículos em países europeus. As mudanças contemplam a gasolina comum (tipo C) e premium (indicada para carros esportivos).

A exigência que mais impacta na nova gasolina é a da densidade do combustível, que deverá ser de, no mínimo, 715 gramas/litro, o que significa mais eficiência, com possibilidade de redução no consumo de gasolina por quilômetro de 5%, em média, além de dificultar fraudes na sua formulação, combatendo o uso de solventes e naftas de baixa qualidade na adulteração do produto comercializado.

Na segunda fase, prevista para janeiro de 2022, será adotada octanagem mínima RON 93. A companhia afirmou que já antecipou a produção da gasolina com padrão de qualidade superior.

Regulamentação

Ainda não havia uma regulamentação deste tipo para o derivado do petróleo, apesar de ser um parâmetro essencial para um bom funcionamento do motor do carro.

Em tese, quanto maior o peso de um litro de gasolina, maior é a quantidade efetiva de conteúdo energético presente, ou seja, o litro mais “pesado” fornece mais energia ao carro, que, dessa maneira, deve andar mais do que com um litro mais “leve”. Na prática, significa que o combustível deixará os carros mais eficientes, reduzindo o consumo e as emissões de poluentes.

Mais cara e menos poluente

Uma vantagem trazida pelo estabelecimento de uma densidade mínima é que ela dificultará que os donos de postos adulterem a gasolina. Isso acontece porque a maioria dos solventes possui densidade mais baixa do que a gasolina, ou seja, ao serem misturadas com o combustível, tendem a torná-lo mais leve e suscetível a não cumprir a nova regra.

Para garantir que a gasolina vendida atenda ao requisito de densidade, todos os postos deverão oferecer um medidor, que poderá ser utilizado pelo consumidor que desejar testar o produto.

Segundo a Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), existe uma previsão de economia de 3% a 4% no consumo de combustível com a adoção da nova densidade. Consequentemente, as emissões de poluentes, como o gás carbônico, também devem baixar entre 3% e 4%.

Apesar disso, ainda não há um previsão concreta de quanto seria o aumento no preço da gasolina, proporcionado exclusivamente pelo novo padrão de densidade, mas é consenso que ele deve acontecer.

Padrão europeu

Segundo especialistas, as alterações aproximam a qualidade do combustível brasileiro àquela da gasolina comercializada na Europa. As mudanças por aqui começaram em 1994, com a adição do etanol anidro, o que tornou a gasolina mais limpa e aumentou sua octanagem.

A octanagem do combustível refere-se à capacidade de a gasolina resistir à compressão antes da explosão. Quanto maior for, melhor o desempenho do motor. Uma nova mudança ocorreu em 2014, quando a concentração de enxofre, antes de até 200 partes por milhão (ppm), passou a ser de, no máximo, 50 ppm.

Saiba o que esperar da nova gasolina
A partir de agosto, combustível derivado do petróleo comercializado no país deverá seguir novos parâmetros que se aproximam aos da gasolina europeia

O que vai mudar para o consumidor?

Como estabelecimento de uma densidade mínima, a principal vantagem para consumidor será a maior dificuldade na adulteração do combustível.

Densidade mínima: para quê serve?

Ainda não havia um padrão estabelecido para a densidade, ou massa específica (ME), fundamental para o bom funcionamento do motor. Pois, quanto menor a densidade, maior o consumo.

O problema é que a maioria dos solventes utilizados para se adulterar a gasolina tem peso (densidade) inferior. Então, a exigência de densidade mínima vai complicar a vida de quem “batiza” a gasolina com solventes, garantindo portanto um padrão de qualidade também no posto.

Os carros vão ficar mais potentes?

A octanagem da nova gasolina no Brasil é outro ponto de mudança. O que é octanagem? É a capacidade que a gasolina tem de resistir a compressão dentro do motor. Depois que a gasolina entra vaporizada, o pistão comprime e aí vem a faísca na vela e explode; isso é que faz o carro andar.

Hoje, a octanagem é de IAD 87: esse IAD 87 é um valor médio entre dois sistemas de medição; MON e RON. O IAD é usado em alguns países, EUA e Brasil entre eles. Na Europa, a octanagem é definida pelo RON. Se ela é 80 MON e 90 RON, então é IAD 85, por exemplo.

A diferença entre as duas medições é que a octanagem MON mede a resistência à detonação em uma rotação mais alta, e a octanagem RON mede o mesmo parâmetro em rotações mais baixas.

A octanagem da nossa gasolina comum/aditivada é IAD 87. Da gasolina premium (BR Podium, por exemplo), IAD 95. A partir de 3 de agosto, a octanagem não muda na nova gasolina no Brasil, mas terá a classificação RON 92 (=IAD 87) e a premium será RON 97.

Além disso, a ANP estabeleceu, para valer a partir de janeiro de 2022, octanagem um pouco maior, RON 93, para a comum/aditivada.

Muita gente achou que IAD 87 para 92 RON é uma grande conquista, mas não é. É praticamente a mesma coisa. Os carros mais novos e com taxa de compressão elevada poderão se beneficiar com um combustível com maior octanagem. Por outro lado, uma octanagem baixa pode provocar a “batida de pino” em qualquer motor.

Ponto de vaporização: o que é e para quê serve?

Outra novidade nas especificações da nova gasolina brasileira é o estabelecimento de uma faixa com limite máximo e mínimo de temperatura para uma evaporação de 50% da gasolina, parâmetro que é chamado de destilação e mede a volatilidade do combustível.

Antes, a ANP regulava apenas o limite máximo. A doutora em química e especialista em regulação da ANP Ednéia Caliman explica que um perfil adequado de destilação gera melhora na qualidade da combustão em ponto morto, na dirigibilidade, no tempo de resposta na partida a frio e no aquecimento adequado.

Além disso, a volatilidade da gasolina pode até resultar em bloqueio nos dutos de combustível, provocado pela formação de bolhas (vapor lock).

Motor vai precisar ser ajustado à nova gasolina?

Os motores não vão precisar passar por qualquer ajuste para consumir a nova gasolina brasileira.

 

Com informações da Assessoria

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