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Bolsonaro causa espanto ao apoiar manifestação contra a democracia neste domingo em Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso (na foto à esquerda) criticou duramente o teor das manifestações hoje, em Brasília, que pediram golpe militar e a reedição de um “AI-5”. Ele cobrou reação ao aumento do tom usado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro e por seus apoiadores contra o Congresso Nacional.

“É assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia. Defender a Constituição e as instituições democráticas faz parte do meu papel e do meu dever. Pior do que o grito dos maus é o silêncio dos bons”, afirmou Barroso, em suas redes sociais, citando o líder do movimento negro americano Martin Luther King.

O ministro completou: “Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve. Ditaduras vêm com violência contra os adversários, censura e intolerância. Pessoas de bem e que amam o Brasil não desejam isso”.

Contrariando as recomendações de isolamento social para conter a pandemia de coronavírus no país, Bolsonaro foi até o QG do Exército neste domingo e discursou para centenas de apoiadores. Do alto de uma viatura da Polícia Militar, ele, que não utilizava equipamento de proteção, tossiu várias vezes durante a sua fala.

“Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada”, afirmou o presidente. “Acabou a época da patifaria.”

Apesar de exaltar o apoio dos manifestantes pró-ditadura, Bolsonaro disse que fará o que for necessário para “manter a nossa democracia e garantir o que há de mais sagrado, que é a nossa liberdade”.

Excomunhão

Ao comentar a participação de Bolsonaro na manifestação, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, disse que “não há espaço para retrocesso”.

“Os ares são democráticos e assim continuarão. Visão totalitária merece a excomunhão maior”, disse há pouco ao Valor.

Líder da oposição diz que não é hora de impeachment

O líder da oposição na Câmara dos Deputados, André Figueiredo (PDT-CE), afirmou que a participação de Bolsonaro em protestos neste domingo não pode ser esquecida e avaliada no futuro, mas que o momento é de concentrar os esforços no combate ao coronavírus.

Para Figueiredo, a irresponsabilidade de Bolsonaro nas ações para conter a pandemia “aumenta a cada semana”, mas os partidos políticos não podem “cair no jogo dele, de provocar um enfrentamento com um segmento da sociedade”.

“[Esse ato] É um momento que não podemos esquecer. Mas, se você me pergunta se é motivo para impeachment? Com certeza, no futuro, será avaliado, mas o Brasil precisa concentrar seus esforços no enfrentamento dessa pandemia”, disse o pedetista.

Figueiredo afirmou, contudo, que os atos não podem ser ignorados e precisam ser analisados em outro momento. “Defendo que não façamos isso agora [afastamento do Bolsonaro por um impeachment], mas não venhamos a esquecer essas posições irresponsáveis. Vamos avaliar [lá na frente] porque a gente não pode ficar com um presidente da República que participa de atos contra a democracia”, reforçou.

Outro a criticar a postura de Bolsonaro é o presidente do Cidadania, o ex-deputado Roberto Freire, que no Twitter escreveu que ele comete “duas irresponsabilidades criminosas em um só ato”. “Participar de aglomerações contra recomendações sanitárias e a saúde pública e ao mesmo tempo numa manifestação de objetivos golpistas, tal como pedir intervenção militar contra o Congresso e o STF”, afirmou.

Presidente do PSDB critica Bolsonaro

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, usou as redes sociais do partido para criticar Bolsonaro por sua participação em manifestações hoje que pediam golpe militar e a volta de um “AI-5” no país. Ele não mencionou, porém, medidas específicas contra Bolsonaro por ter endossado ações antidemocráticas.

“O presidente eleito jurou obedecer à Constituição brasileira. Ao apoiar abertamente movimento golpista, coloca em risco a própria democracia e desmoraliza o cargo que ocupa. O povo e as instituições brasileiras não aceitarão”, disse Araújo, em mensagem na conta de Twitter do PSDB.

Do site Valor Investe

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