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Saiba detalhes: Antes de sumir, dono da banca O Joel, em Teresina, deixou carta: ““Sou um covarde da vida. Sinto que minha coragem acabou”, disse ele

Do site oitomeia.com.br – Há quase um mês o empresário Joel Meneses da Costa, proprietário da tradicional Banca do Joel, que hoje chama-se Loja do Joel, localizada na avenida Antonino Freire, Centro de Teresina, é dado como “desaparecido”.

Na semana passada o assunto veio à tona em toda a imprensa, que informou que Joel havia “sumido” sem informar para onde iria e que a Polícia, através da Delegacia de Homicídios e Proteção às Pessoas (DHPP), estaria apurando o caso.

Joel, dono da Loja Joel (antiga Banca do Joel) em carta: “Desculpa pela atitude deste fracassado”

O que foi informado é que ele havia deixado uma carta e que o motivo de seu “desaparecimento” seria o acúmulo de dívidas ao longo do tempo. A informação, em parte, estava correta. Mas só contou metade do que realmente motivou Joel a tomar uma decisão tão radical.

Nossa reportagem apurou os fatos. É verdade que Joel acumulou uma série de dívidas e não sabia mais como pagá-las. Por conta disso ele escreveu uma carta comunicando a sua esposa que iria embora e deixou alguns pertences, como o próprio carro, para que ela vendesse e pagasse alguma dessas dívidas.

Na carta, assinada por Joel, ele demonstra total desespero. A nossa reportagem teve acesso a tudo que ele escreveu. É possível visualizar que Joel está desesperançoso, pede desculpas à família e entrega a empresa para que o cunhado, a quem chama de Nenê, cuide de tudo em seu lugar.“Sou um covarde da vida. Sinto que minha coragem acabou. Deus vai cuidar de vocês. Desculpa pela atitude deste fracassado”, escreveu.

Cunhado de Joel, Fabiano Marques assumiu os negócios: “Ele só deixou dívidas. E eu renegociei todas” (Foto: OitoMeia)

UMA REVELAÇÃO
Antes de mostrar a carta, esta reportagem traz ainda o depoimento de Fabiano Marques, que é o cunhado que assumiu a Loja Joel. Ele já trabalhava na empresa há 17 anos e foi quem tratou de renegociar todas as dívidas desde então. Em sua entrevista a nossa reportagem ele fez uma nova revelação sobre o “sumiço” de Joel e contou o porquê de terem envolvido a Polícia no caso.

“Isso se deve a uma mulher. O Joel era casado com minha irmã já há 19 anos, mas não tiveram filhos. Só que ele teve um relacionamento extraconjugal e teve uma filha com essa outra mulher. Essa filha hoje tem 15 anos. Aí a mulher entrou na Justiça e fez ele pagar pensão. Ele entrou em desespero, porque o Joel não deixou herança. Ele deixou dívidas. Como não temos como arcar com pensão dessa mulher e sua filha, negamos a pensão. Ela então foi procurar a Polícia dizendo que o Joel estava foragido para não pagar a pensão. Mas a verdade é que ele teve que ir embora por não ter mais como pagar suas dívidas”, afirmou o cunhado de Joel.

PARA ONDE FOI JOEL?
Segundo Fabiano Marques, desde então o novo administrador da Loja Joel, o fundador da mais tradicional banca de revistas no Piauí não revelou para onde iria. Apenas disse que iria para um outro lugar recomeçar toda a sua vida.

“O Joel quis se isolar. Ele atrasou alguns alugueis, deixou muitos credores para se resolver. Ficou desgostoso com a economia do Brasil e deixou bens dele, vendeu muita coisa antes de ir embora e deixou uma carta citando os motivos. Disse que iria dar um tempo e deixou avisando na carta para que eu negociasse com os credores, pagasse as dívidas e tocasse o negócio. Aqui mesmo onde está a Loja Joel, a dona do imóvel já pediu o ponto, mas eu consegui renegociar com ela e toco a empresa. Nós da família sabemos que ele tomou uma decisão radical. Foi uma loucura, mas ele achou melhor fazer assim. E eu estou aqui agora para assumir e fazer a Loja Joel continuando dando certo”, pontuou.

TRECHOS DA CARTA
Joel Meneses da Costa tem 68 anos de idade. Sua banca completa é a mais famosa e tradicional de Teresina, sempre bem frequentada desde a década de 80. Nos anos 90 a banca virou o principal ponto de venda de ingressos para shows e eventos da cidade. Chegou a ganhar um bom dinheiro e virar referência em venda de revistas e jornais de todo o Brasil e do mundo. Com a Internet, redes sociais e a baixa procura por notícias em meios impressos, ele viu seu negócio cair vertiginosamente. Desde o começo do ano então planejou ir embora. Mas nem familiares e amigos mais próximos imaginavam tal decisão. Ninguém sabe do seu paradeiro. Ele fez tudo sozinho, inclusive vendendo tudo que tinha, como carro. Na carta que deixou ele revela que deixou a documentação do veículo nas mãos de uma vendedora e pedindo que a esposa, que está em depressão e triste com toda essa situação, vendesse e resolvesse suas dívidas. Na carta ele dá detalhes emocionados, inclusive lamentando não ter tido filhos com a esposa, e ao mesmo desesperador por não ter conseguido tocar o seu negócio:

“Estou indo embora por motivos de ser um falido, sem esperança. Sem ter dado uma casa, dois filhos para o nosso futuro. Deixo esse carro que está em seu nome. Vou morar em outro lugar. Sou um covarde da vida. Estou perdendo minha amada loja-banca. Sinto que minha coragem acabou”.

CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA:

 

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