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Timon: 26 anos sem estudar, faxineira volta aos estudos para ajudar o filho e acaba passando para pedagogia no vestibular da UEMA

Acima dona Rosa Maria com o diretor regional de educação de Timon, Regino Noleto

Rosa Maria Feitosa da Silva, 48 anos, casada, mãe de três filhos, dona de casa, faxineira e após 26 anos sem estudar, recomeça a vida escolar e torna-se, neste ano, aluna do curso de Pedagogia da UEMA, do Campus Timon. Em 1989, aos 17 anos, Rosa desistiu dos estudos na antiga 6ª série, atualmente, 7º ano do Ensino Fundamental.

Somente em 2015, Rosa decidiu voltar para o ensino fundamental na E.M.E.F. Luiz Miguel Budaruiche e, logo em seguida, iniciou o ensino médio no C.E. Padre Delfino, onde, assim que o concluiu no ano passado, já prestou o vestibular da UEMA conseguindo um grande êxito.

Mas o motivo do retorno de Rosa à escola não foi, a princípio, para o seu próprio benefício. Ela o fez a fim de incentivar o filho Marcus Vinicius. “As minhas duas filhas já tinham terminado o ensino médio, mas ele não. Ele continuava na 5ª série e eu fazia de tudo, ia à escola, procurava incentivar, mas ele não passava de ano. A única alternativa que eu encontrei foi voltar a estudar com ele, na mesma sala”, comenta.

Ela acrescenta que sua meta era fazer com que o filho concluísse, pelo menos, o Ensino Fundamental. Mas com o passar dos anos, o interesse de Rosa só aumentou. “Eu fui gostando e me reencontrando, porque, na verdade, quando eu cheguei na sala de aula, eu descobri que eu sempre quis estar ali. Mas, por muitos motivos, como condições e até mesmo por falta de força de vontade, eu deixei o tempo passar. E decidi no final de tudo, me inscrever na UEMA e no Enem. Eu não imaginava que iria passar, mas tinha aquela expectativa positiva e que bom que deu certo”.

Rosa e o filho estudaram juntos desde o retorno à sala de aula, em 2015, até concluírem o Ensino Médio, por meio do EJA (Educação de Jovens e Adultos). “A minha idade e a do meu filho já estavam avançadas para terminar o ensino fundamental no ensino regular, então como ele foi transferido para a noite, eu fiquei com ele pela preocupação que toda mãe tem quando o filho vai estudar nesse horário”, explica.

Com relação à preparação para o vestibular, Rosa conta que estudava apenas na escola e ficava muito atenta a tudo que os professores explicavam. É que a falta de tempo foi o seu maior obstáculo nesta caminhada, já que a mesma, além de ir para escola, dividia-se entre as tarefas do lar e o trabalho como faxineira. “Eu tive bons professores tanto no ensino fundamental, como no médio. A minha sorte, não sei se pela idade ou pelo fato de estar lá pelo meu filho, foi que eles me ajudaram muito, foram muito bons comigo, me explicavam bem e sempre tiravam minhas dúvidas”, enumera.

Mas voltar para escola trouxe para Rosa outros desafios: lidar com as críticas. Seus maiores incentivadores foram a família, em especial: filhos e marido; os amigos e os professores. Porém, outras pessoas criticavam a escolha dela, pois acreditavam que seu tempo já havia passado. “Mas isso foi muito bom, porque aprendi mais com as críticas do que com os elogios, porque as críticas me incentivaram a provar para mim mesma que eu sou capaz”, acrescenta.

Agora o sentimento é de muito orgulho e de estar vivendo um sonho, segundo a própria Rosa. E o sonho se tornou maior ainda pois junto com ela, Márcia, uma de suas filhas gêmeas, também passou para Pedagogia na UEMA e a outra filha, a Mônica, já vai para o segundo período do mesmo curso da mãe e da irmã.

Rosa Maria é um exemplo de pessoa que sabe aproveitar uma oportunidade de recomeço e agora colhe os frutos desta decisão. “Tem horas que não acredito que estou vivendo tudo isso e que ia conseguir tão rápido. Me sinto muito feliz e agradecida a Deus por essa conquista. Prestei o vestibular para mudar de vida, mas também porque a escola não foi pra mim só um meio de aprendizado, ela foi minha terapeuta, minha psicóloga. Na escola eu não lembrava de problemas, me sentia em casa, muito bem e muito feliz. As duas escolas que passei me ajudaram bastante, foram onde eu me reencontrei e tornei possível minha meta de vida. Agora entendo que nunca é tarde para recomeçar”, pontua.

 

Por Flávia Raquel, da assessoria da URE

3 cometários

Miguel
Comentou em 19/01/19

Parabéns, dona Rosa. Só a educação muda nosso país. A senhora é digna desta conquista. Que venha muito mais. Deus proverá.

Vanessa
Comentou em 20/01/19

Parabéns Dona Rosa vc e seu filho …nunca e tarde esse e frase …fiquei orgulhosa qndo vc disse q não ligou para as cricríticas

Monica Feitosa da Silva
Comentou em 08/09/21

Mãe a senhora foi e sempre será uma guerreira. Graças Deus a senhora conquistou essa vaga no curso de pedagogia em uma universidade pública e estadual. Coisa que muitos jovens e até adultos tem vontade e muitos não conseguem por diversos motivos. A senhora merece o melhor dessa terra! Que adeus lhe abençoe sempre Mãe!!

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