Fórum de Mulheres condena assassinato de mulher e o amante pelo PM; Veja o depoimento completo do policial

O Fórum Maranhense de Mulheres fez nesta segunda-feira (27) duras críticas a policiais militares que estão promovendo por meio das redes sociais uma “vaquinha” [contribuição financeira]  para contratar um advogado para o PM Carlos Eduardo Nunes Pereira.

O policial é réu confesso do assassinato da esposa, Bruna Lícia Fonseca Pereira, e o homem com quem ela tinha um “caso”, o jovem José Willian dos Santos Silva, após flagrá-los nus na cama do casal, no sábado (25), no Condomínio Pacifico 1, no bairro Vicente Fialho, em São Luis.

Há informações  de que José Willian dos Santos Silva era evangélico e estava noivo.

O Fórum Maranhense de Mulheres também critica as pessoas que estão defendendo o autor do duplo homicídio e diz que o policial é um feminicida que cometeu um crime hediondo. Confira abaixo a íntegra da nota:

– FÓRUM MARANHENSE DE MULHERES

Mais uma mulher vítima de feminicídio, desta vez foi Bruna Alícia uma jovem de pouco mais de 20 anos, assassinada de forma cruel, torpe, violenta, pelo seu marido. A crueldade se faz mais monstruosa ainda em virtude da forma como estão sendo veiculados matérias sobre o caso nas redes sociais. Grande parte delas destruindo a imagem da vítima, que passa a ser responsabilizada pela sua morte.

Que é isso? Em que mundo estamos? Ainda estamos vivendo na idade média? Porque as mulheres continuam sendo vítimas desta cultura patriarcal que nos oprime e nos reduz a um órgão sexual que tem como finalidade apenas procriar e dar prazer aos homens, ao marido em especial.

Bruna Alícia está sendo destruída na sua moral e na sua integridade de ser humano. Mesmo sendo violentamente assassinada, ainda assim, não está sendo vista com humanidade que todo cristão merece. Sua morte  não lhe dá paz, sua morte é justificada por um possível adultério que teria praticado.

Com esse argumento o assassino, seus amigos e uma parte da sociedade conservadora, machista, patriarcal e misógina, explica e justifica sua morte. “Foi merecida” dizem alguns e algumas que passam a inocentar o feminicida, naturalizando o crime hediondo praticado por este policial. O mais cruel de tudo isso é a lista que circula nas redes de amigos do assassino fazendo vaquinha para contratar um advogado para livrar este bandido da cadeia que merece.

Com esse tipo de prática os policiais demonstram o quanto são coniventes com a violência praticada contra as mulheres e o feminicidio. É surpreendente esta atitude, onde se viu uma coisa dessas, uma corporação estimulando a impunidade.

Nós, mulheres, que integram O FÓRUM MARANHENSE DE MULHERES, protestamos! Queremos justiça! Queremos uma policia preparada e não policiais desequilibrados que não sabem controlar seus impulsos assassinos.

 

O Depoimento do PM na delegacia em São Luis

 O site JP online teve acesso à íntegra do depoimento do policial militar Carlos Eduardo Nunes, que está preso e confessou ter assassinado a tiros, no último sábado, 25, a esposa Bruna Lícia e o jovem Willian Santos, ao flagrar os dois na cama em seu quarto, no Condomínio Pacífico I, no bairro Vicente Fialho, em São Luís.

No depoimento, o soldado revela que houve luta entre eles antes dos disparos fatais, e confirma, também, uma terceira pessoa no local do duplo crime.

Ao ser inquirido depois de se entregar à polícia, o PM afirmou que mantinha união estável com Lícia há dois anos, sem filhos, e que a relação estava caminhando para o fim.

Os dois já haviam conversado sobre a separação, com a vítima já decidida a sair de casa.

Em um trecho do depoimento, o PM Carlos Eduardo Nunes afirmou que a separação estava ocorrendo de maneira pacífica, e que Bruna ainda estava no apartamento enquanto arranjava outro lugar para morar.

No dia do crime, Carlos Eduardo saiu para trabalhar por volta das 06h20, em seu veículo FOX, e deixou ainda esposa sozinha no apartamento.

Ela teria dito que não iria trabalhar naquele sábado. Antes das 14h, o PM saiu do quartel e iria para o almoço de aniversário do pai, mas resolveu passar antes no apartamento a fim de trocar de roupa.

Ao entrar, percebeu a presença de um rapaz na sala, identificado como Lucas, que trabalhava com Bruna Lícia e Willian.

Segundo depoimento, Carlos Eduardo ficou insatisfeito, pois não gostava de receber visitas enquanto ele não estivesse em casa.

Foi então que se dirigiu ao quarto, deparou com a porta fechada, mas não travada, e imaginou que a companheira estivesse trocando de roupa. Ao entrar, flagrou Willian e Bruna, nus, na cama.

Atônito dentro do quarto, Carlos Eduardo declarou que os dois partiram em sua direção e puxaram seu colete, iniciando-se, então, uma briga generalizada dentro do quarto, segundo o acusado.

O PM declarou ainda que escorregou durante a briga, tendo nesse momento sacado a pistola .40 que estava no coldre na sua coxa direita.

Carlos Eduardo efetuou os disparos, mas afirma que não se lembra em quem atirou primeiro. As vítimas estavam de pé quando foram baleadas, conforme depoimento.

Após perceber que tinha executado a companheira e o suposto amante, o PM Carlos Eduardo afirmou que ficou sentado chorando, pensando em se matar, mas lembrou da família e resistiu em cometer o ato.

Enquanto isso, ao lado de fora do apartamento, policiais militares já estavam em movimentação para tentar a rendição de Carlos Eduardo, que se negou a se entregar, exigindo a presença de um tio, Alberto Luís, e de um primo que é advogado, só se entregando após a chegada dos dois.

PM foi levado em uma viatura para a Delegacia de Homicídios e afirmou que não recebeu nenhum tipo de telefonema avisando sobre a traição da mulher, nem desconfiava de tal possibilidade.

Estava com a mão lesionada devido à luta no interior do apartamento, mas não soube precisar em que circunstância ocorreu a lesão.

O PM Carlos Eduardo Nunes finalizou o depoimento afirmando que nunca chegou a desconfiar do envolvimento de Bruna com Willian Santos, e que nunca havia cometido um ato daquela natureza, nem possuía nenhum tipo de processo.

Disse, também, que, mesmo já praticamente separado da mulher, não suportou vê-la com outro homem em sua própria cama.

Dos blogs do John Cutrim e  Domingos Costa

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