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Traição motivou desavenças que culminaram em guerra pelo domínio do tráfico na Rocinha

Nem determinou saída de Rogério após descobrir traição Foto: Reuters

As desavenças que culminaram na guerra pelo domínio da Favela da Rocinha envolvem uma traição. Dono do morro, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, deu um ultimato para que Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, entregasse o comando do tráfico após ter a informação de que o comparsa estava roubando altas quantias da quadrilha. Ao receber a ordem, o criminoso reagiu: caso deixasse o posto, levaria consigo os fuzis que havia comprado durante o período em que esteve à frente da comunidade. Nem discordou e argumentou que as armas pertenciam a ele, pois o dinheiro usado era de suas bocas de fumo. A resposta de Rogério foi mandar matar Ítalo de Jesus, o Perninha, a quem Nem queria entregar o controle da favela.

Rogério 157 se recusou a entregar o morro e ainda exigiu fuzis
Rogério 157 se recusou a entregar o morro e ainda exigiu fuzis Foto: Reprodução
 Segundo a Polícia Civil, Rogério 157 vinha se preparando para uma guerra com Nem pelo menos desde o início do ano. Para isso, investiu alto em armamento, principalmente fuzis. Uma investigação da Delegacia Especializada em Armas, Munição e Explosivos (Desarme) revelou que, no último dia 10, uma semana antes do início da guerra, o traficante aguardava a chegada de três fuzis e de uma pistola Glock, fabricados na Bélgica e na Romênia, e ainda de 2 mil balas de fuzil fabricadas nos Estados Unidos.
Armas e munição apreendidas pela Desarme
Armas e munição apreendidas pela Desarme Foto: Divulgação

O carregamento foi interceptado na Rodovia Presidente Dutra, na Serra das Araras, por agentes da Desarme e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O valor das armas e da munição apreendidas foi estimado pela polícia em torno de meio milhão de reais. O arsenal estava numa Parati que passou por São Paulo antes de tomar o caminho do Rio de Janeiro. O motorista foi preso. Ele confessou que o material seria entregue a Rogério 157.

PM patrulha a favela da Rocinha
PM patrulha a favela da Rocinha Foto: Gabriel de Paiva

A Desarme abriu um inquérito para apurar como armas de guerra como essas entraram na Rocinha. A unidade especializada também vai rastrear outros 23 fuzis apreendidos desde que os confrontos na favela tiveram início. A polícia trabalha com a hipótese de que parte dessas armas também veio de fora do país, já que os criminosos do Rio têm preferência por armamentos importados.

Jornal Extra

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