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IBGE: Fortaleza desbanca Salvador e se torna a maior economia do Nordeste

A consolidação da tendência de recuperação econômica iniciada em 2017 e a expansão do setor de serviços e da administração pública impulsionaram o Produto Interno Bruto (PIB) de Fortaleza em 2018, fazendo a economia da Capital ultrapassar a de Salvador (BA) e ganhar o título de maior do Nordeste pela primeira vez ao menos desde 2002, início da série histórica da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que, em parceria com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), foi divulgada ontem (16). O levantamento, que considera dados de 2018, mostra que a atividade econômica em Fortaleza somou R$ 67,02 bilhões naquele ano, enquanto Salvador, líder até 2017, totalizou R$ 63,5 bilhões.

O volume de riquezas produzido pela Capital cearense em 2018 representa ainda um crescimento de 8,8% na comparação com o Produto Interno Bruto de Fortaleza em 2017 (R$ 61,5 bilhões). O setor de serviços corresponde a maior parcela das riquezas produzidas na Capital (70%), chegando a R$ 40,3 bilhões. O segmento também avançou 8,8% em relação ao ano anterior.

Já em relação a Salvador, ainda de acordo com o IBGE, a perda da posição se explica também por causa da retração da indústria na capital baiana, com a queda de participação do setor de serviços soteropolitanos no Estado.

“A economia da nossa Capital é bastante concentrada no setor de serviços. Fortaleza é, hoje, uma metrópole de influência e essa influência se estende do Pará ao interior de Pernambuco, com o fornecimento de serviços para toda essa região”, explica o economista Alex Araújo. Ele reforça que Fortaleza se destaca, por exemplo, na oferta de serviços educacionais, e que a tendência é que a Capital se mantenha na liderança ante as demais capitais nordestinas.

A consolidação da retomada econômica no período também fez diferença, destaca o analista de políticas públicas do Ipece, Daniel Suliano, “No primeiro trimestre de 2017, iniciou-se lentamente o processo de recuperação econômica. Em 2018, nós tivemos a consolidação dessa tendência. Fortaleza tem como característica um PIB com predominância do setor de serviços e da indústria. A administração pública também representa um percentual significativo por ser a sede das principais atividades do Governo. O agro é quase nulo”.

Segundo o levantamento, a administração pública gerou R$ 9,1 bilhões (15,9%), a indústria, R$ 7,9 bilhões (13,8%) e a agropecuária R$ 65 milhões (0,11%). Na passagem de 2017 para 2018, a administração apresentou crescimento de 5,22% e a indústria de 8,8%.

“Na indústria, nós temos a construção civil como destaque, que vem sendo impulsionada pela queda na taxa de juros iniciada no fim de 2016. A pujança na economia cearense é efeito em cadeia. A construção impulsiona outras atividades na indústria, o comércio, a pessoa que compra um imóvel precisa de um financiamento, que é um serviço financeiro, o que acaba resultando em uma atividade com dinâmica maior”, explica Suliano.

No âmbito da administração pública, Lauro Chaves Neto, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e PhD em desenvolvimento regional pela Universidade de Barcelona, ressalta que os investimentos e o planejamento a longo prazo criam um melhor ambiente de negócios e condições necessárias ao desenvolvimento do setor produtivo.

“Fortaleza trabalha há bastante tempo com planejamento público. A elaboração do Fortaleza 2040 indica que esse planejamento não está só no curto prazo, o que reforça a elaboração dos orçamentos anuais, os setores prioritários, trazendo mais retorno para a cidade e à população em si”.

Ele também aponta que o equilíbrio fiscal das contas municipais permite a manutenção do nível de investimento e uma margem maior para políticas públicas. “Além disso, nós temos um turismo que cresceu muito nas últimas décadas em relação a outras capitais e um hub aéreo, que vamos ter mais impacto nos próximos anos. O hub de dados também faz muita diferença”, acrescenta.

Perspectiva

Para os próximos anos, ele aposta nas atividades ligadas à economia do mar e da área da saúde para dar continuidade à crescente economia local.

Na avaliação do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ações de desburocratização no âmbito do programa Fortaleza Competitiva e o volume de investimentos feitos pela Prefeitura e pelo Governo do Estado são fatores importantes que levaram a Capital cearense ao topo do ranking entre as capitais nordestinas. E ressaltou que Fortaleza está se tornando cada vez mais relevante para a economia regional, nacional e para o cenário socioeconômico da América Latina. “Isso é produto de um conjunto de estímulos, incentivos e investimentos públicos diretos da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Estado na nossa economia”.

Fortaleza detém a maior participação no PIB do setor de serviços no Ceará, com 55,4%, mas perdeu participação se o número for comparado à fatia que a Capital detinha no ano de 2002 (63,89%).

Distribuição de riquezas

Olevantamento do IBGE conjuntamente com o Ipece mostra ainda que a distribuição das riquezas produzidas está menos concentrada na Capital. Em 2002, o PIB de Fortaleza correspondia a 46,7% da atividade econômica do Estado do Ceará e, em 2018, o percentual passou para 43% – uma perda de 3,7 pontos percentuais. Em contrapartida, municípios como São Gonçalo do Amarante e Caucaia ampliaram sua participação na economia cearense.

Em 2002, as riquezas produzidas por São Gonçalo do Amarante representavam 0,26% do PIB cearense. Em 2018, a fatia passou para 2,71%.

Em Caucaia, o percentual era de 2,91% e passou para 3,26% no mesmo intervalo de comparação. De acordo com o analista de políticas públicas do Ipece, Daniel Suliano, esses ganhos se devem, em grande parte, ao desenvolvimento industrial da região. “Os ganhos se devem, em grande parte, ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), situado entre os dois municípios e que vem atraindo novas indústrias para a região”, explica Daniel Suliano.

Ele destacou ainda o desenvolvimento de cidades como Pereiro, cuja economia passa a ser dominada pelo setor de serviços (70,3% do PIB municipal) em decorrência do desenvolvimento do setor de telecomunicações; e Trairi, que recebeu nos últimos anos investimentos na área de geração de energia renovável.

Ele lembra ainda que Penaforte foi outro município que se destacou em 2018, já que naquele ano a transposição do Rio São Francisco impulsionou o setor industrial, fazendo com que essa atividade se tornasse a principal da economia local. De acordo com Suliano, uma distribuição cada vez maior dessas riquezas vai depender de políticas públicas e da própria dinâmica empresarial nas regiões.

Alex Araújo endossa a análise, destacando que, de fato, vem ocorrendo há alguns anos essa movimentação de “um PIB cearense não tão dependente da atividade econômica em Fortaleza”, mas destaca que as riquezas produzidas ainda estão muito concentradas na região metropolitana.

“A gente observa a instalação de empresas nessas cidades da região metropolitana como Eusébio e São Gonçalo do Amarante, com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém”, detalha o especialista.

Ele explica que isso ocorre, entre outros fatores, pelo custo menor que as empresas encontram para instalação nessas cidades na comparação com Fortaleza. “Nos últimos 10 anos, muitas empresas acabaram migrando de Fortaleza para outros municípios em função desse custo. E é importante que a indústria migre para perto de Fortaleza, já que o grande mercado consumidor está aqui. No caso de Aquiraz, a expansão passa pela expansão do mercado imobiliário. Isso faz com que haja uma necessidade maior de oferta de serviços e desenvolve a localidade”, ressalta Araújo.

 

Do Diário do Nordeste

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