Logo Elias Lacerda
                           Clínica São Rafael

Uma pequena análise sobre capivaras, febre maculosa, animais domésticos e possíveis alternativas para Timon e região

 

Por Cleuton Lima Miranda

A necessidade e interesse de escrever esse breve texto já vem de longa data e foi recentemente aguçada em uma “live” de estudantes com o pré-candidato a prefeito de Timon, comandante Schnneyder, quando um jovem perguntou sobre a problemática da caça de capivaras na zona periurbana e rural de Timon e daquelas que transitam entre a lagoa do Sambico (Parque Ambiental) e às margens do Rio Parnaíba, na av. Piauí, em pleno perímetro urbano (alto risco de atropelamentos pelo grande fluxo de veículos).

As capivaras são os maiores roedores do mundo podendo chegar até 50 Kg (fêmeas adultas) e 60 Kg (machos adultos), dependem de corpos d’água para se reproduzir e para se defenderem de predadores naturais, como as onças-pintadas (ameaçadas de extinção e cada vez mais raras), os jacarés de maior porte e até mesmo de sucuris, principalmente as capivaras ainda não adultas. Os grupos geralmente são formados por um macho dominante que possui uma glândula na região da cabeça que usa para delimitar território, fêmeas, subadultos e jovens. As capivaras se alimentam principalmente de gramíneas (grama, capins) e plantas aquáticas e podem se reproduzir ao longo de todo o ano, com a gestação durando cinco meses com o tamanho da ninhada variando de um a cinco indivíduos. Se adaptam muito bem a ambientes urbanos e zona rural, sendo expressiva a problemática de colisão com veículos.

A capivara está envolvida em um ciclo de uma doença bastante grave chamada febre maculosa que é causada por bactérias. O ciclo dessa doença pode envolver capivaras e animais domésticos (cães, cavalos, bois), carrapatos-estrela ou micuins e o ser humano. Carrapatos podem se infectar ao se alimentar de sangue de capivaras ou mesmo de outros animais hospedeiros (incluindo cão doméstico, cavalos, bois) e, posteriormente, entrar em contato com o ser humano transmitindo a doença.

Os primeiros sintomas da febre maculosa no ser humano podem aparecer de 2 a 14 dias depois do contato com o carrapato, sendo mais comum em 7 dias. Febre alta, dor no corpo e desânimo, com posterior surgimento de manchas avermelhadas e erupções na pele, estão dentre os sintomas mais comuns, podendo ser confundida inicialmente com outras doenças que apresentam sintomas similares (exceto as erupções na pele). Existe vacina, mas a proteção é somente parcial. Se descoberta inicialmente pode ser tratada sem maiores complicações com uso de antibióticos (tetraciclina e cloranfenicol). No entanto, se houver atraso no diagnóstico e tratamento complicações

graves podem surgir, como no sistema nervoso central, rins e pulmões, podendo o paciente chegar a óbito (a letalidade ou mortalidade da doença é alta na fase avançada da doença).

Quais seriam as alternativas? Primeiramente como venho batendo e muito nessa tecla: investimentos em pesquisas. Aproveito para cumprimentar a Dra Rita Seabra Nogueira e Dr. Francisco Borges que tem desenvolvido trabalhos muito importantes sobre essa temática no Maranhão (UEMA, São Luís). Educação ambiental também é muito importante. Em tempo, temos um núcleo de educação ambiental em Timon que não funciona na prática, não é atuante e isso é muito problemático. Outro ponto é a fiscalização por parte da Secretaria de Meio Ambiente e colaboradores, já que se trata de animal silvestre e por lei é crime caçar capivaras, a não ser que seja para subsistência ou sobrevivência e até comprovar não é nada fácil. Na realidade, maior parte dos que caçam não necessitam desses animais para fonte de proteína.

Como o estimado leitor pode notar é evidente o papel relevante de uma gestão ambiental ativa e comprometida com as questões ambientais, trabalhando de modo transversal com outras secretarias e com engajamento de parcela significativa da população para obtenção de bons resultados. E o que fazer com as capivaras e com essa problemática toda, inclusive muito bem levantada pelo jovem estudante?

Peço licença para fazermos uma pausa por aqui. O texto ficará muito longo. Continuaremos tratando dessa questão em um próximo texto, afinal apenas apontar a problemática sem trazer possíveis alternativas é crítica vazia e não precisamos disso. Ademais, esse não é e nunca foi o meu intuito. Nada é pejorativo e pessoal. Obrigado pela leitura. Até mais.

Dr. Cleuton Lima Miranda

Mestre e Doutor em Zoologia pela Universidade Federal do Pará/Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, Brasil

Pós-doutor pela programa de pós-graduação em Ciência Animal, UEMA, São Luis, Maranhão, Brasil
 
Celular/Whatshapp: (98) 981955952
 
Skype: cleuton.miranda2
 

6 cometários

Kiko Gomes
Comentou em 04/08/20

Belo texto, muito esclarecedor.

CLEUTON LIMA MIRANDA
Comentou em 05/08/20

Obrigado, meu amigo. De sugestoes.. compartilhe.. a area ambiental em Timon e vexatoria. O que tem vem do estado e tentam enganar a populacao dizendo que e prefeitura. Nunca foi. A pior secretaria dessa gestao de oito anos. Entregaram a gente sem nenhuma qualificacao em troca, como moeda politica. Chega a ser criminoso. Timon na contramao da sustentabilidade. Cousaa de coronelistas, populistas, olugarquia mediocre e pseudo ou falsos progressistas. Vassoura de relogio nesse povo!

Rômulo Rocha
Comentou em 04/08/20

Só espero que o próximo governante de Timon , utilize métodos mais conscientes sobre as questões da nossa fauna e flora, ou seja, ambientais. Sugiro que através de projeto-lei do poder legislativo realize mais exigências educacionais nas escolas de forma que o público infantil e juvenil já aprendam desde de cedo , através da teória e a prática a respeitar mais a natureza.
Ah necessidades de controle urbano populacional, controle da fauna , controle do lixo doméstico, preservação de nossas nascentes, tais riachos, bem como o rio Parnaíba dentre outros – porque não lançar o Projeto- Lei pra formar a guarda municipal ambiental .
Já pra manhã , Timon com certeza ultrapasse 30 toneladas de lixo doméstico/dia , somos mais de 200 mil habitantes . É relevante buscar projeto de Lei para haver – já -, o incerador biológico em Timon. Com certeza haverá mais controle dos nossos resideos e com menos poluentes no meio , quem sabe até ter biofigestores para produção de energias alternativas.
Assim , não ficamos somente no grande roedor transmissor da zoonose supracitada , e sim poderemos resolver e controlar toda cadeia e/ou teia ecológica.

CLEUTON LIMA MIRANDA
Comentou em 05/08/20

Romulo Romulo so so dizer uma coisa pela decima vez: vc precisa escrever comigo. Pronto. Cabra perspicaz.

Francineide de Melo Oliveira Nascimento
Comentou em 05/08/20

Que nossa fauna e nossa flora seja protegida já parei várias vezes pra olhar as capivaras aqui em Timon, parabéns doutor pelo texto muito proveitoso.

CLEUTON LIMA MIRANDA
Comentou em 06/08/20

Muito obrigado querida Francineide. Que otimo oaber que e util escrever. Mudancas assim sao sao gris e requer esforcos. Vamos torcer por uma nova gestao comprometida com meio ambiente, com um secretario de vdd e equipe tecnica bem aproveitada – la tem bons tecnicos. O problema e gestao da secretaria e de governo mesmo. Abco. Compartilhe. Escreverei mais sobre…

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

*
*

Você pode ler também!

Não desperdice seu tempo e garanta sua hospedagem Dgi Cloud hoje!
Clínica São Rafael