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Leia ! Em artigo poeta homenageia Nicolau Waquim, promotor aposentado de Timon

BAÚ DE PÉROLAS: RESSONÃNCIAS LÍRICAS E DIALÉTICAS NICOLAUNIANAS

Por César William*

Os anos que vivi no leste maranhense foram-me mais que dourados. Apesar de ter sido quase um pária, de andanças esdrúxulas, fui também meticuloso, capaz de em meio a uma acidez de aspecto político, no auge da disputa pelo cetro, centrar-me no melhor da parte de um dos dois grupos que se antagonizavam ferrenhamente em 2005, quando aportei sob a Linha do Equador.

Optei por seguir as artes, as letras, em uma mais que complexa odisseia, sem me preocupar com vãs rivalidades ceifadoras dos horizontes de uns e asas da esperança para outros. Em minhas perquirições, detectei nomes que já haviam trilhado pelas vias da outrora Flores, como Odylo Costa, Filho e Higino Cunha, até me deparar com a exótica figura de Nicolau Waquim Neto, promotor de Justiça aposentado que atuava como mediador de conflitos no Tribunal de Pequenas Causas na Avenida Paula Ramos em Timon.

Já o conheci de pena em punho, destilando do seu tinteiro os mais inquietantes adágios socráticos, demonstrando compulsão pelo desejo de escrever, valendo-se de linguagem universal para tratar, com simplicidade, das vicissitudes humanas. Essa compulsão o pôs à frente de um grupo de pensantes, escritores locais que juntamente com ele fundaram na referida cidade uma Academia de Letras, militância que mais tarde culminou com a publicação do seu livro intitulado “Baú de Pérolas”, registro que o põe em uma boa linhagem de pensadores.

O aludido livro que sobre o qual me debrucei inúmeras vezes, colaborando com algumas revisões e dando dicas ao autor que humildemente solicitava e acatava algumas sugestões, é um legado para a humanidade sobretudo àqueles que mendigam pensamento e mergulham no óbvio e na mediocridade, neste século de tantos desajustes e de confusas sinalizações ideológicas.

A obra em pauta é um tributo ao ex-governador do Piauí, Chagas Rodrigues, advogado renomado e vultosa personalidade do cenário político piauiense no século XX que falecera em 2009, três anos antes da homenagem.

   Embora tenhamos lido alguns sonetos laboriosos do poeta e outros poemas de grande valia como “O Crepúsculo” (p.409), “Uma Saudade” (p.410) e “Timon” (p.412), todos com roupagem clássica, romântica e de fino lirismo, Nicolau Waquim Neto optou por priorizar mais seus provérbios, frases prenhes de discursos filosofantes, como a que epigrafa, abre seu baú: “A verdade é uma âncora entre a terra e o céu”.

Leitor de Confúcio, Tagori, Lao Tsé, o autor foi construindo seu legado com paciência, sob frondosas mangueiras no vasto quintal da sua casa ou à beira do Parnaíba que lhe inspirou centenas de pensamentos e um bom punhado de poemas.

Penetra todos os espaços: ético, afetivo, imagético. Transita pelo belo e pelo passado, nos atalhos e nas encruzilhadas de antagonismos, dizendo-nos coisas que quase todos sabem ou deveriam saber, mas de uma forma suave, como se estivesse sussurrando feito um ruflar ameno de um tímido vento ou como se dialogasse com o Oráculo de Delfos.

Bom lembrar que seu filosofar é capaz de atravessar muralhas. Quando fora conciliador no Tribunal de Pequenas Causas, inúmeras vezes presenciei homens em mar de intrigas, casais chegarem conflituosos, pedindo separação e saírem aos beijos e aos abraços, depois de ouviriam o discursar poético do conciliador.

Em sua publicação, detectamos inúmeras frases que o põe como grande investigador dos princípios fundamentais para uma boa, saudável existência humana, alertando o ser para olhar para dentro de si e buscar sua luz, sobretudo quando essa busca for em momento de blecaute. Da simplicidade vai brotando seu filosofar como esses adágios que selecionamos:

“Saudável é a velhice que ainda sonha”.

“O homem esperto ganha, mas não vence o sábio”.

“Que nos venha o insulto; mas o desprezo, não”.

“Mais vale uma verdade de barro, a uma mentira de ouro”.

Bom lembrar também que Nicolau Waquim Neto tem ainda dois livros inéditos, Rebentos da Primavera (poemas) e Sabedoria Timonense (pensamentos). Que sejam publicados e que sua luta em prol de uma sociedade mais fraterna e humanizada por meio da literatura não finde. A ele, saúde, sabedoria, paz e poesia.

*César William é poeta, professor, pesquisador e gestor escolar.

10 cometários

Soares sobrinho
Comentou em 29/08/21

DR..NICOLAU UM GRANDE HOMEM…JURISTA .POETA…UM GRANDE PROMOTOR….E UM GRANDE AMIGO…QUE DEUS TE D TUDO DE BOM ….

Karyme
Comentou em 30/08/21

sem palavras para agradecer Wilian por tanto carinho e respeito a meu pai.
Emoção toma conta de mim! Gratidão a todos que carinhosamente citaram o nome de meu pai. GRATIDÃO!

Raimundo Gomes
Comentou em 29/08/21

Dr. Nicolau Waquim é um grande intelectual da cidade de Timon. Amante do conhecimento e das letras. Perguntaria ao Professor William: A Academia de Letras do Leste Maranhense fundada por Dr. Nicolau ainda existe? Tem uma sede em Timon? Ou desapareceu com o fim do governo da Socorro Waquim?

CÉSAR WILLIAM
Comentou em 29/08/21

SEM RESPOSTA

Caríssimo Raimundo Gomes, muito boa tarde. Na noite de 23/03/2006 (bela quinta-feira), o poeta Nicolau Waquim Neto, juntamente com um grupo de escritores locais fundaram a Academia de Letras, Artes e Ecologia do Leste Maranhense, no auditório Des. Amarantino Ribeiro Gonçalves, no Fórum de Justiça da cidade de Timon. Estive no evento, juntamente com alguns amigos do curso de Letras da Uema/Cesti. Foi uma bonita festa, com rico discurso do poeta Nicolau, seu presidente-fundador. Após isso, participei de alguns encontros e vi a luta deste para conseguir uma sede para a referida Academia. Voltei para São Luís em 2011, nesse período já não me lembro se os membros desta ainda se reuniam. Hoje, perdi o contato com todos. Os mais próximos eram Nicolau, Barripi e Osiel Silva, com os quais já não me comunico há muito tempo,portanto, ficarei devendo essa resposta. Abraço. Saúde, sabedoria, paz e poesia.

CÉSAR WILLIAM
Comentou em 29/08/21

UMA RARIDADE

Verdade, Soares Sobrinho. Um ser polido e de grandes virtudes, um irmão nos momentos mais difíceis, poeta de muito fôlego e sensibilidade, um entusiasta da literatura, simples e raríssimo.

CIDADÃO TIMONENSE
Comentou em 29/08/21

DR.NICULAU….. POR TODAS AS SUAS QUALIDAES….PEÇOA DEUS MUITA SAUDE PARA VC MEU AMIGO ..

Raimundo
Comentou em 29/08/21

Seria interessante que as obras de Nicolau Waquim fossem conhecidas pelos timonenses. Eu e muitas outras pessoas gostaríamos de conhece-la. Não conheço a pessoa de dr. Nicolau Waquim, mas já ouvi muito sobre sua capacidade intelectual. Fico perplexo porque em Timon não existe uma organização cultural, especialmente no campo da literatura. Se tem, ainda não conheço. Por que em Timon há esse comportamento? Por que Timon não tem um Arquivo Público? Por que em nossa cidade não há um Museu? Timon tem 130 anos! Há algum tempo li na internet que foi produzido um documentário denominado “Timon -cidade de Flores”. Li que o audiovisual tem produção de Jairo Araújo, Alex Galvão e Lázaro Martins. Onde está disponível esse documentário? Se é sobre Timon, seria interessante que os timonenses o conhecessem, ou não?. No passado, quando soube que Timon teria uma academia de letras, fiquei exultante e ansioso por conhecê-la. Onde está? Na época li que lá teria uma biblioteca com dez mil títulos. Como teria sido importante para os novos talentos timonenses, tê-la como um incentivo. Onde está? Há coisas que acontecem ( ou não acontecem) aqui em Timon que me deixam Perplexo. O que temos escrito sobre a história da cidade? Os Timonenses conhecem pelo menos a origem do nome da cidade? Uma “revolução” e evolução precisa acontecer na mentalidade timonense!

CÉSAR WILLIAM
Comentou em 29/08/21

“SE QUERES SER UNIVERSAL, CANTE SUA ALDEIA” (LEON TOLSTOI)

Caríssimo Raimundo, és banhado de razão. Nesse período que aponto em minha modesta matéria, a cidade estava em um momento de efervescência cultural com a implantação da Academia. As novas gerações têm que dar continuidade a esses projetos.Em 2014, os poetas Salgado Maranhão, Marcos Igreja e Dudu Galisa apresentaram um trabalho muito bonito, o projeto Flores Literárias, em que poetas, artistas locais eram homenageados no espaço da panificadora Ideal, inclusive o poeta Nicolau foi um dos homenageados e também tive esse privilégio.
Esse tipo de produção tem que ter continuidade. Se a Academia foi fundada, há de haver alguém, um grupo que a resgate, porque é importante para o cenário cultural do município. Porém, independentemente de academia, realização de saraus, exposição de obras de autores timonenses é uma forma de se cantar e encantar a cidade. Abraço. Saúde, sabedoria, paz e poesia.

CÉSAR WILLIAM
Comentou em 29/08/21

DUAS OBRAS IMPORTANTES PARA A MEMÓRIA DE TIMON

Aconselho-o a procurar dois livros muito importantes para a memória da cidade de Timon: “Timon, sua História, sua Gente”, da saudosa Profa. Raimunda de Carvalho Sousa (Mundoca) e “Timon -Uma Flor de Cajazeiras” , do também professor e historiador, Raimundo dos Santos. Aliás, essas obras devem ser reeditadas, penso, almejo. Lembrando que a Profa. Mundoca também foi uma das fundadoras da Academia de Letras, Arte e Ecologia do Leste Maranhense.

Prof. Elcio.
Comentou em 29/08/21

Conheci muito Dr. Nicolau Waquim. Um ser iluminado. De uma humildade muito bonita. Estive muitas vezes com ele na defensoria conversando e mostrando a obra que eu estava escrevendo sobre o Padre Delfino. Padre Delfino e Timon: Vida, Missão e História. Lançada mais tarde pela Universidade Federal do Piauí. Nas nossas conversas sempre apontava para Dr. Nicolau Waquim que a sede da Academia Timonense de Letras deveria ser na antiga estação de trem na beira da avenida Piauí,no antigo Panelão. Hoje destruída. Muitas vezes vi sua angústia com relação a academia não ter uma sede.

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