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Artigo – Coronavírus: Informações Gerais e Esclarecimentos

Caros leitores, diante de discussão atual acirrada e tamanha preocupação relacionada à uma potencial epidemia chamada coronavírus, decidi interromper a série de textos sobre cadeias produtivas para Timon. Esse texto que trata do coronavírus será um pouco mais longo que o habitual, dada a complexidade do problema e foi escrito pelo biomédico Thalles Richard de Almeida (meu ex-aluno e parceiro de trabalhos) e por mim.

O coronavírus pertence à uma família de vírus que tem como alvo de infecção as vias respiratórias de modo geral, trazendo um quadro típico de gripe que pode se agravar para um quadro de pneumonia de uma forma mui severa e rápida. Vale explicar, caro leitor, que uma epidemia seria a concentração ou o número elevado de casos de uma doença em uma região em uma mesma época. As epidemias podem se espalhar rapidamente entre as pessoas e chegar a outras regiões, originando o que chamamos de surto epidêmico, principalmente em um mundo globalizado onde o fluxo de pessoas entre regiões e países é rápido.

Vai soar estranho a afirmação que faremos. O coronavírus não é uma novidade! Deixe-nos explicar. Ele foi descoberto em 1960 e já ocorreram três surtos epidêmicos, sendo um em 2002 e o outro em 2003, ambos causadores da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS). Nesse momento não vamos focar nesses dois surtos, mas no terceiro que ocorreu há pouco tempo, no final de 2019, e está em evidência, gerando muitas discussões e preocupações por parte da sociedade mundial.

Existem algumas hipóteses sobre como ocorreram as infecções de 2019, sendo duas as mais aceitas e ambas envolvem grupos de animais silvestres, morcegos, que “funcionariam” como reservatórios naturais para o coronavirus, assim como outros animais silvestres. O que seria um reservatório natural? Um animal que possui o agente causador da doença em sua corrente sanguínea, em seu corpo, mas não é afetado, não sofre as consequências, sendo geralmente a transmissão feita por vetores ou por contato direto com esses animais reservatórios.

Eis aí uma questão chave para o coronavírus: é comum o consumo de morcegos e outros animais não utilizados em nossa culinária na China e outros países asiáticos, como insetos, larvas e outras iguarias, muitas vezes consumidos em feiras a céu aberto sem nenhuma fiscalização e devidas condições sanitárias.

Essa problemática não é incomum na América latina e no Brasil, em nossa região, onde muitos alimentos são obtidos em locais completamente inadequados. Aqui também no Brasil e no meio-norte animais silvestres são caçados e consumidos (apesar da caça de

animais silvestres ser proibida por lei) e vários destes animais caçados podem ser reservatórios naturais de doenças. Você sabia que se pode contrair a hanseaníase (lepra) a partir do consumo da carne de tatus? É só um exemplo. Poderíamos citar vários outros.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou neste sábado (08/02/2020) dados atualizados sobre as infecções de coronavírus: pouco mais de 31 mil pessoas infectadas e 600 mortes em todo o mundo, sendo que 80% destas 31 mil pessoas infectadas apresentam avanço muito satisfatório de melhorias e também de cura (cerca de 1.650 pacientes receberam alta na China nesta semana), 15% dos infectados apresentaram quadro severo, 3% um quadro crítico e 2% chegaram à óbito. No Brasil já tivemos algumas suspeitas de coronavírus, mas todas se mostraram negativas, tanto as de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Ceará e Maranhão.

Então, prezado leitor e leitora, será que esta epidemia é tão violenta como divulgada por vezes nas mídias, principalmente televisiva? Como muitas pessoas estão propagando em redes sociais? A resposta categórica é não! No entanto, as autoridades devem estar sim atentas tanto ao coronavírus, quanto à outras potenciais epidemias que podem surgir a qualquer momento, podendo algumas ter porcentagens de quadros graves e óbitos bem superiores, principalmente em um mundo globalizado, como já mencionamos.

Os cuidados e monitoramentos que estão sendo tomados em nível mundial, com base em experiências anteriores com surtos epidêmicos, parecem bastante adequados para se evitar que essa epidemia se expanda para outras regiões, chegando ao Brasil, incluindo evitar viajar para regiões onde há casos confirmados de coronavírus e a identificação rápida de pessoas que estiveram em tais regiões há pouco tempo, como aconteceu nos casos suspeitos no Brasil, felizmente nenhum positivo.

Mais uma vez a importância clara da pesquisa científica para a sobrevivência da humanidade e o repúdio às ações de desmonte da Ciência e Tecnologia no Brasil, que acarretam prejuízos incalculáveis à nossa nação. A China compartilhou o material genômico do novo coronavirus (desse surto de 2019) para que laboratórios mundiais pudessem trabalhar para desenvolver uma vacina e, felizmente, uma vacina já foi desenvolvida nos Estados Unidos e deve estar em breve à disposição para imunização da população, o que será de extrema importância para se controlar este surto e evitar que este se espalhe para outros países. No Brasil um diagnóstico rápido para coronavírus foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia com resultado dentro de 3 horas, um feito muito importante, diríamos que uma “bela balbúrdia”. Educação e

Ciência não são gastos, mas investimentos, avisem, por gentileza, aos terraplanistas e anti-intelectualistas de plantão, na realidade, lesa-pátrias, lesa-vidas.

Futuramente uma série sobre saúde pública pode ser escrita nesse portal. Já temos em mente uma problemática interessante e deixamos uma reflexão: desmatamento de áreas naturais, contato inadequado com animais silvestres e consumo de animais silvestres e potenciais epidemias. Vocês sabiam qual é a hipótese mais aceita para origem do HIV em humanos? Recomendamos a leitura de um livro que tem como título “A História da Humanidade contada através dos Vírus”. Obrigado pela leitura. Sugestões, críticas e pedidos são bem vindos.

Thalles Richard Ribeiro de Almeida

Biomédico habilitado em Patologia Clínica e em Bioinformática aplicada à Saúde, com ênfase em epidemiologias. Cidadão brasileiro, maranhense e ludovicense

 

Cleuton Lima Miranda

Biólogo, Mestre e Doutor em Zoologia. Pós-doutor em Biodiversidade e Conservação Animal. Cidadão brasileiro, maranhense e timonense.

2 cometários

Gaspar da Silva Alencar
Comentou em 17/02/20

O artigo é esclaredor. Qdo puderes sejam menos prolixo. O Carlos Alberto Leitão, sempre citava essa frase. Nem prolixo, nem para o lixo.

CLEUTON LIMA MIRANDA
Comentou em 18/02/20

Muito obrigado, amigo Gaspar. Tentaremos enxugar mais. Estamos “pegando” o jeito. Abraço.

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