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Delação : Viúva do miliciano Adriano da Nóbrega entrega desembargador e bicheiro

Acima Júlia Mello Lotufo com o esposo capitão Adriano da Nóbrega, que foi morto na Bahia.
Rio de Janeiro – A viúva do ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, Júlia Mello Lotufo, que cumpre prisão domiciliar acusada de participar do esquema de lavagem de dinheiro proveniente das atividades criminosas do seu ex-marido, propôs delação premiada para conseguir recuperar sua liberdade. No documento, ela entrega um bicheiro e um desembargador como parceiros de Adriano nas atividades criminosas.Mesmo sem ter fechado o acordo, a possibilidade de Julia revelar tudo o que sabe já provocou até a saída das promotoras Simone Sibílio e Letícia Emily da força-tarefa que investiga os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crimes cujo mandante ela também aponta na proposta de delação, de acordo com a reportagem da revista Veja.

O bicheiro

Segundo a publicação, a íntegra da proposta de delação premiada revela detalhes como propinas pagas para libertação de comparsas, detalhes de ações criminosas promovidas pelo chamado “escritório do crime” e a identidade dos líderes do bando. Júlia relatou que a organização seguiu funcionando normalmente após a morte de Adriano e que o chefe do grupo de extermínio seria Bernardo Bello Barbosa, ex-presidente e patrono da escola de samba Vila Isabel e sócio de seu ex-marido.

ReproduçãoO bicheiro Bernardo Bello Barbosa, apontado pela delatora como chefe do Escritório do Crime
O bicheiro Bernardo Bello Barbosa, apontado pela delatora como chefe do “escritório do crime”

Segundo Júlia, em delação, Bernardo seria o responsável pela administração financeira do “escritório do crime”, enquanto Adriano cuidava da “Força Armada”. Em um trecho do texto, a reportagem indica que, conforme o relato da viúva, “Bernardo designava a vítima e Adriano traçava a tática para a execução, escolhendo as armas a serem empregadas e os participantes da ação”.

Ainda de acordo com a publicação, Júlia afirma que em 2019 Adriano recebeu informações de que seu sócio, Bernardo, estaria acertando um acordo com o então governador do Rio, Wilson Witzel, para que Adriano não fosse preso e, sim, morto, proposta benéfica para todos, uma vez que Bernardo se livraria do sócio com qual acumulava desgastes e o então governador reforçaria seu discurso de combate ao crime, em especial às milícias. Witzel nega que soubesse da existência de Adriano até a notícia de sua morte.

O desembargador

Júlia revela ainda o envolvimento do “escritório do crime” com o poder judiciário. De acordo com o documento, ela conta que, em 2017, presenciou o ex-marido planejando levantar 1 milhão de reais em espécie para comprar a soltura de um comparsa. O valor, segundo ela, foi pago ao desembargador Guaraci de Campos Vianna, do Tribunal de Justiça do Rio, que, na condição de plantonista, analisaria o pedido de soltura de Antônio de Souza Freitas, o Batoré.

Júlia conta que Adriano e Batoré sabiam que a soltura, em caráter liminar, seria derrubada ao fim do plantão, como de fato aconteceu. O revés, no entanto, não interferiu os planos da dupla, que fez o investimento. Em seguida, Batoré foi solto e fugiu antes de a liminar, assinada por Guaraci Vianna, ser revogada. Para a revista, o desembargador afirma que nunca recebeu qualquer vantagem e negou envolvimento situação relatada.

No documento de delação, Júlia também cita agentes da Delegacia de Homicídios e o então promotor de justiça Homero das Neves Freitas Filho como informantes do grupo criminoso. O ex-promotor, que hoje trabalha como advogado, também nega envolvimento com o caso.

Caso Marielle Franco

Os 10 anos de convívio com Adriano deram a Júlia, por exemplo, informações sobre um dos crimes de maior repercussão do estado do Rio. De acordo com a viúva do ex-capitão, Maurício Silva da Costa, conhecido como Maurição e que seria um dos chefes da milícia de Rio das Pedras, procurou Adriano para informá-lo de que o ex-vereador Cristiano Girão o sondou sobre a possibilidade de executar a vereadora. Segundo ela, Adriano rechaçou a proposta uma vez que a repercussão geraria enorme impacto para os grupos paramilitares da região e por que ele não acreditava que a atuação de Marielle pudesse interferir nos negócios da milícia.

Júlia conta que, mesmo com a negativa de Adriano, “Maurício deu ok para Girão no homicídio de Marielle” e revela que o executor foi Ronnie Lessa, preso e acusado pelo Ministério Público de matar a vereadora. Girão foi preso na última sexta-feira (30/7), em São Paulo.

Do Metrópoles

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